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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Relatório penal sem conclusão

Um ano após a entrada em vigor da reforma penal, o Observatório Permanente da Justiça (OPJ), encarregue pelo Ministério da Justiça de monitorizar os novos códigos, ainda não tem conclusões, mas apenas percepções.
O primeiro relatório semestral, de Maio, concluiu que a reforma causou uma "redução drástica do número de presos preventivos" e que não contribuiu para a celeridade da Justiça. No entanto, o­ntem, a coordenadora do trabalho, Conceição Gomes, foi à Assembleia da República dizer que ainda não é possível apurar "até que ponto a percepção é real", designadamente ao nível da prisão preventiva. "Não fizemos uma monitorização de casos concretos", admitiu Conceição Gomes, adiantando desde já que "há muitas questões que ainda não vão poder ser avaliadas" no próximo relatório, que será apresentado a 30 de Novembro.[...]

domingo, 14 de setembro de 2008

Reforma penal - de abençoada a lastimosa

Uma reforma "abençoada" ou uma "lástima" são duas classificações ouvidas entre protagonistas da Justiça sobre o primeiro aniversário da entrada em vigor das alterações ao Código do Processo Penal (CPP). Se da parte dos advogados o balanço apresenta-se positivo, como fica claro das declarações dos ex-bastonários José Miguel Júdice e Rogério Alves.
Já o juiz-conselheiro jubilado Marques Vidal fala na criação de um clima de "laxismo" proporcionado pelas alterações nas regras de aplicação da justiça penal.

"As reformas tiveram como objectivo evitar que os poderosos vão a cadeia em prisão preventiva", diz o magistrado que dirigiu a Polícia Judiciária durante seis anos.
Rogério Alves, o penúltimo bastonário dos advogados, coloca-se no lado posto da barricada ao defender que o novo CPP trouxe uma "maior exigência do Estado" para que seja "mais rápido a acusar e a julgar".
O seu antecessor no lugar é ainda mais veemente na defesa das alterações ao Código, que classifica como "abençoadas" e constituem uma reforma "no sentido dos direitos fundamentais" como "há muitos anos não se via".
Já o advogado e jornalista José Carlos de Vasconcelos balança entre o bom e o mau, pois se acha que a mudança "abre a porta a situações perigosas" como a libertação de assaltantes detidos em flagrante, também acabou com os casos "incríveis" de prisão preventiva, como o de mandar para a cadeia "um miúdo por roubar uma carteira de dentro de um carro".
A tudo isto Marques Vidal contrapõe que os "bandidos" agora "sabem que podem praticar um crime, pois mesmo que sejam presos voltam para a rua e voltam a fazer o mesmo" e os "corruptores que antes ficavam em prisão preventiva, agora já não ficam".
Quando o CPP alarga de três para cinco anos o limite da pena para aplicar a prisão preventiva o "objectivo é safar indivíduos que corrompem", considerou.
"Há um conjunto de sumidades com interesses difusos, que passam por todos os partidos", apostadas em que "a polícia não tenha capacidade de investigar os crimes económicos, nomeadamente a corrupção", acusa o juiz-conselheiro.
Em discordância total está Rogério Alves, ao afirmar que a alteração das regras que tornam mais difícil a aplicação da prisão antes do julgamento é "correcta" e por passar a ser a "excepção em vez da regra".
"O diploma aponta genericamente soluções correctas, estando mais adequado ao Estado de Direito", resume.
José Carlos de Vasconcelos invoca a sua faceta de defensor dos direitos humanos para apoiar a diminuição da prisão preventiva, mas salienta que o novo CPP "abre a porta a situações perigosas", como considera o caso da libertação de um homem que deu três tiros noutro numa esquadra de Portimão, deixando-o em estado grave, mas que acabou por ficar a aguardar julgamento em liberdade. "Aparentemente, este caso justificava a prisão preventiva", sustenta.
"Se ninguém deve estar preso antes de ser julgado", há que "ponderar quando haja perigosidade e resulte da prática reiterada de crimes" e "isso agora não acontece", considera.
José Miguel Júdice vê a questão de outro ângulo, manifestando-se preocupado com aquilo a que chama a "loucura securitária" que se vive no país, quando a "presente onda de criminalidade na rua" só fez um morto, mas "já se contam 31 vítimas mortais por violência doméstica" desde o início do ano.
"Isto não assusta as pessoas e em relação a este crime nada mudou", realça.
A revisão dos Códigos Penal e do Processo Penal enquadrou-se no Pacto da Justiça celebrado entre o PS e o PSD, tendo a nova legislação entrado em vigor a 15 de Stembro de 2007.

LUSA e VISÃO 13.09.2008

Reforma Penal: PS admite "À primeira vista parece que algumas áreas não funcionaram bem"

O PS admite, um ano depois das alterações às leis penais, que "à primeira vista algumas áreas não funcionaram bem", enquanto a oposição acusa o Governo de "precipitação" e de dar sinais de "afrouxamento".

"À primeira vista parece que algumas áreas não funcionaram bem", admitiu à Agência Lusa o deputado e vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS Ricardo Rodrigues, acrescentando, contudo, que os socialistas têm "contratada uma entidade [o Observatório da Justiça] para fazer uma avaliação sobre as consequências dos novos artigos, de forma a ver que áreas são mais sensíveis".

Ricardo Rodrigues salientou também que actualmente há "uma grande pressão para alterar a lei, nomeadamente na área da prisão preventiva", e que "isso tem a ver com alguma demagogia e populismo que é fácil à direita usar".

"Tínhamos um país o­nde toda a gente se queixava de haver prisão preventiva a mais e parece que já se esqueceram", acrescentou o socialista, que referiu que a revisão dos Códigos Penal e de Processo Penal foi "relativamente consensual" entre todos os partidos e que "as reformas não se fazem sob pressão".

"Não é porque num mês de Verão se assiste a um maior índice de criminalidade que se deve imediatamente alterar a lei", concluiu. [...]

Fonte: Público