quinta-feira, 17 de novembro de 2005

Advogados debatem problemas, reformas e o seu próprio prestígio


17.11.2005 - Paula Torres de Carvalho, PÚBLICO

"Em menos de 20 anos, o número de advogados em Portugal passou de quatro mil para cerca de 23 mil. Todos os anos, entre três a quatro mil licenciados saem dos 20 cursos de Direito em funcionamento. Todos os anos, dois mil novos estagiários são admitidos na Ordem.
Um grande número acaba no desemprego. Este problema da massificação da advocacia - e do desemprego no sector - constitui um dos principais problemas que se colocam hoje à classe dos advogados e à sua Ordem profissional.
A incapacidade de resposta face a tanta procura e a ameaça que isso poderá representar quanto ao respeito pela deontologia da profissão serão assuntos abordados no congresso que, hoje, começa em Vilamoura, no Algarve, e que tem como tema principal A Responsabilidade Social dos Advogados.
Não só no campo da organização profissional se observam as consequências desta massificação, mas também no que respeita à formação permanente dos candidatos a advogados e à sua imagem perante os cidadãos.
A responsabilidade social dos advogados "não se cumpre se a formação não preparar profissionais que possam responder, de modo eficiente, aos vários segmentos em que hoje se resolvem as questões da justiça e do desenvolvimento", nota o Presidente da República num texto de mensagem ao congresso, a cuja abertura vai presidir. Três sessões plenárias e 13 workshops vão debater os principais problemas que preocupam os advogados.
O estatuto da advocacia e o reconhecimento da sua independência por parte do poder político estão, afinal, intimamente associados ao papel do advogado ao longo dos tempos. O da "defesa do interesse público, do cidadão e dos direitos, liberdades e garantias", nota Perry da Câmara, vice-presidente da Ordem dos Advogados. É este princípio que, em sua opinião, é preciso "refundar, redescobrir e recultivar, porque foi isso que deu à advocacia a enorme importância que ela tem", afirma.
O VI Congresso dos advogados portugueses, segundo os organizadores, pretende assim transformar-se numa forte afirmação de defesa das reformas na política de justiça e do prestígio da advocacia, o que converge com a defesa dos direitos dos cidadãos.
Impossível esquecer a crise da justiça
O debate sobre o exercício da advocacia não pode, porém, ser realizado independentemente da reflexão sobre a crise actual de funcionamento e de confiança no sistema de justiça. "O sistema de justiça está a afundar-se na administração e na forma de funcionamento dos tribunais, nos serviços do Ministério Público, nas conservatórias, nos institutos, nas comissões e com os solicitadores de execução", diz Luís Filipe Carvalho, membro do Conselho Geral da Ordem dos Advogados. Cabe a estes "dar o seu contributo para que tudo isto mude", defende.
Outra das grandes questões é a aplicação de medidas por parte do Estado que têm levado ao seu afastamento crescente da participação em determinados actos, como, por exemplo, dos processos de execução (cobrança de dívidas). A esta situação alia-se outra: a procuradoria ilícita, em que os actos de aconselhamento e consultadoria de âmbito judicial são praticados ilegalmente por pessoas que se substituem aos advogados. O combate a este problema foi considerado prioritário pela anterior direcção da Ordem.
Para evitar muitos dos problemas que daqui resultam, os dirigentes da Ordem estão empenhados na defesa da promoção da "advocacia preventiva", que possibilite a aproximação do cidadão ao advogado, através do aconselhamento jurídico em relação a determinados actos como assinaturas de contratos ou compra de imóveis ou automóveis, para evitar posteriores problemas legais.
O respeito pela deontologia e a revisão de alguns dos seus princípios é também uma questão cujo debate ocupará um lugar central no congresso.
As opiniões favoráveis à criação de novas normas consolidaram-se em reacção às polémicas resultantes das frequentes declarações públicas de advogados sobre processos mediáticos. Interligado com este tema está o das relações da justiça e da advocacia com a comunicação social, bem como os problemas do segredo profissional dos advogados e o da acção disciplinar.
Na perspectiva de Luís Laureano Santos, presidente do Conselho Superior, "se há necessidade de reflectir sobre eventual revisão de princípios deontológicos, não poderá deixar de se ponderar também na revisão das regras adjectivas que devem reger o percurso da acção disciplinar".
Já não é possível, contudo, reduzir a reflexão sobre todos estes assuntos a uma perspectiva interna. O alargamento ao espaço europeu implica o debate sobre os novos desafios do ordenamento jurídico na Europa que requerem a intervenção dos advogados relativamente aos direitos e liberdades dos europeus.

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

Google ajuda a resolver crime

Esta notícia ainda há-de servir de argumento para um episódio do CSI - um criminoso foi descoberto, não por uma impressão digital, uma pegada, um pêlo no local do crime, sangue ou ADN, mas sim pelo rastro que deixou numa pesquisa no Google.

Fiel ao seu lema este motor de busca tornou "tudo mais fácil" e a pesquisa efectuada pelo arguido revelou-se uma prova fundamental.

Podem ver o artigo com detalhe em WRAL.com

"Stella Awards" de Direito

Trata-se de um prémio atribuído anualmente aos casos mais bizarros deprocessos judiciais nos Estados Unidos. O prémio tem este nome em homenagema Stella Liebeck, que entornou café quente no colo e processou a McDonald's recebendo quase 3 milhões de dólares de indemnização. Desde então, osStellaAwards existem como uma instituição independente, publicando - e "premiando"- os casos de maior abuso do já folclórico sistema legal norte-americano. Este ano os vencedores foram:

5º. Lugar: (empatado): Kathleen Robertson, de Austin, Texas, recebeu US$780.000,00 de indemnização de uma loja de móveis por ter tropeçado numacriancinha que corria pela loja e ter quebrado o tornozelo. Até aí quase compreensível, se a criança descontrolada em questão não fosse o própriofilho da Sra. Robertson.
5o. Lugar: (empatado): Terrence Dickinson, de Bristol, Pennsylvania, estavaa sair pela garagem de uma casa que tinha acabado de roubar mas não conseguiu abrir a porta da garagem porque a fechadura automática estava comproblemas. Também não conseguiu entrar de novo na casa porque a porta játinha fechado por dentro. A família estava de férias e o Sr. Dickinson ficou trancado na garagem durante oito dias, comendo a comida do cão e bebendoPepsi. Processou o proprietário da casa alegando que a situação lhe causouprofunda angústia mental. Recebeu US$ 500.000,00.

4º. Lugar: Jerry Williams, de Little Rock, Arkansas, foi indemnizado com US $ 14.500,00 mais despesas médicas, depois de ter sido mordido no traseiropelo beagle do vizinho. O cão estava preso do outro lado da vedação, masainda assim reagiu com violência quando o Sr. Williams saltou a mesma e atirou repetidamente contra ele com uma espingarda de pressão de ar.

3º. Lugar: Um restaurante na Filadélfia foi condenado a pagar US$ 113.500,00de indemnização a Amber Carson, de Lancaster, Pennsylvania, após ter escorregado e quebrado o cóccix. O chão estava molhado porque, segundosantes, a própria Amber Carson tinha atirado um copo de refrigerante aonamorado durante uma discussão.

2º. Lugar: Kara Walton, de Claymont, Delaware, processou o proprietário de um bar da cidade vizinha por ter caído da janela da casa de banho e quebradoos dois dentes da frente. Na altura do acidente estava a tentar escapar sempagar o couvert (de US$3,50). Recebeu US$ 12.000,00, mais despesas dentárias.

1o. Lugar: o grande vencedor do ano foi o Sr. Merv Grazinski, de OklahomaCity, Oklahoma. O Sr. Grazinski tinha acabado de comprar um MotorhomeWinnebago Automático e voltava sozinho de um jogo de futebol disputado numa cidade vizinha. Na estrada, ele marcou o piloto automático do carro para 100km/h, e foi para a traseira do veículo preparar um café. Quase como era dese esperar, o veículo saiu da estrada, bateu e capotou. O Sr. Grazinski processou a Winnebago por não explicar no manual que o piloto automático nãopermitia que o motorista abandonasse a direcção. O júri concedeu aindemnização de US$ 1.750.000,00, mais um novo Motorhome Winnebago. A companhia mudou todos os manuais de proprietário a partir deste processo,para o caso de algum outro atrasado mental comprar os seus carros.

terça-feira, 15 de novembro de 2005

Era uma vez...

Quatro funcionários públicos chamados Toda-a-Gente, Alguém, Qualquer-Um e Ninguém.
Havia um trabalho importante para fazer e Toda-a-Gente tinha a certeza que Alguém o faria.
Qualquer-Um podia fazê-lo, mas Ninguém o fez.
Alguém zangou-se porque era um trabalho para Toda-a-Gente.
Toda-a-Gente pensou que Qualquer-Um podia tê-lo feito, mas Ninguém constatou que Toda-a-Gente não o faria.
No fim, Toda-a-Gente culpou Alguém, quando Ninguém fez o que Qualquer-Um poderia ter feito. Foi assim que apareceu o Deixa-Andar, um quinto funcionário para evitar todos estes problemas...
Lido no blog de um amigo: Periférico

Sugestão



Contos de Colarinho Branco, de Paulo Morgado, editado pela Dom Quixote, com prefácio de Maria José Morgado e introdução de Sérgio Figueiredo.
Trata-se de uma viagem ao mundo clandestino do crime económico, relatada em 28 divertidos e sarcásticos contos, com muitas mensagens subliminares, frisando o rol de golpes clássicos que conduzem ao dinheiro fácil. É desta que vou aprender a ganhar dinheiro sem ser a trabalhar....

Justiça para todos


"HERMES PERGUNTA A ZEUS DE QUE MODO DEVERÁ DISTRIBUIR JUSTIÇA E PUDOR ENTRE OS HOMENS: DEVO DISTRIBUIR JUSTIÇA COMO FORAM DISTRIBUÍDAS AS ARTES APENAS A ALGUNS HOMENS OU DEVO DISTRIBUI-LA A TODOS? A TODOS RESPONDEU ZEUS, E QUE TODOS TENHAM O SEU QUINHÃO; AS CIDADES NÃO PODERIAM EXISTIR SE APENAS POUCOS POSSUÍSSEM JUSTIÇA..."
Mito Prometeu, PROTÁGORAS

A NOTÍCIA

Caros,

Anexo a redacção da notícia que em breve colocará em polvorosa os mass media nacionais.

PRESS RELEASE

O Porto vê nascer a sua primeira Associação Jurídica

Juristas da cidade passam a ter um palco de reflexão sobre o Direito.

Foi criada no passado dia 14 de Outubro a “Direito em Debate - Associação Jurídica do Porto” (AJP). A AJP é, na letra da sua carta de princípios, uma associação independente, desligada de qualquer corporação profissional e conjuga nas suas fileiras advogados, magistrados, académicos, notários e conservadores.
O aparecimento da Associação assentou no vazio sentido (também) na cidade do Porto na área de plataformas de reflexão de índole jurídica e afirma como sua matriz fundamental a discussão de temas e institutos jurídicos e a consequente interacção entre os vários operadores de Direito, a mais apurada compreensão e interpretação dos instrumentos jurídicos e um painel de reflexão sobre a globalidade do sistema judiciário, sustentado nas diversas experiências e valências dos seus associados.
Deve referir-se que a AJP conta com uma Comissão de Honra, constituída por individualidades do meio jurídico, de onde se podem enumerar, até à data, o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, o Presidente do Supremo Tribunal Administrativo, o Procurador-Geral do Distrito Judicial do Porto, o Presidente da Faculdade de Direito da Universidade Católica do Porto e o Presidente do Conselho Distrital do Porto da Ordem dos Advogados.
A AJP será apresentada publicamente no próximo dia 29 de Novembro, em jantar a realizar na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, e as suas primeiras iniciativas estão agendadas para o próximo mês de Dezembro.

sábado, 12 de novembro de 2005

"A Contos com a Justiça"


Obra editada pela Coimbra Editora, constituída por onze contos de magistrados de Norte a Sul do país, numa recolha feita por José Eusébio Almeida e José Igreja Matos, autores da ideia. Os direitos patrimoniais de autor desta obra revertem, por vontade dos seus titulares, a favor da Associação de Solidariedade Social "Casa do Juiz".
Assim:

"A Justiça por um Conto" – Nelson Fernandes
"Um Ciclo da Água" – Fernando Fernandes Freitas
"Males de Dirceu" – Tibério Nunes da Silva
"A Luísa, O Marco e um Pequeno Apartamento" – Paulo Correia
"O Senhor Fortunato" – Renato Barroso
"A Senhora Sem Nome e a Outra Senhora" - José Eusébio Almeida
"Trilogia Breve" – José Igreja Matos
"Testemunho" – Elisabete Valente
"Um Tiro na Nuca, Porque Sim" – António Sampaio Gomes
"Os Pássaros e as Penas" – Manuel Capelo
"O Ladrão das Penas" – Paulo Guerra
O projecto explica-se na respectiva introdução onde pode ler-se:
"Quem trabalha nos tribunais, há muito que o pressente... A linguagem dos processos omite tanto do que dentro deles se vive. A prosa escorreita do despacho judicial ou da sentença lembra, às vezes, o preto destas nossas becas e, entre o estafado jargão jurídico, afugentam-se palavras imensas, de cores muitas. Em demasiadas ocasiões, permanece, surdo, o incómodo da frase espantada, que fica por dizer. Pois, foi desse desconforto magoado que nasceu este projecto a dois. Acordar frases adormecidas, vesti-las, com singeleza, na roupagem de um livro de contos, integralmente escrito por juízes, unidos nesse deslumbramento de vida que lhes vai correndo nos olhos. Depois, deu-se a descoberta fácil e entusiasmada de nove vozes únicas que ressoam de todo o país e que às nossas se juntaram, na mais falsa das selecções: todos os que à chamada responderam, logo os quisemos como escolhidos. Certamente, mais se farão ouvir, assim este projecto saiba levedar."

"Justiça irresponsável"

"A justiça portuguesa demonstrou esta semana que há muito sérias razões de preocupação sobre a sua seriedade e rigor. O desfecho do "caso Paulo Pedroso", um deputado que esteve seis meses em prisão preventiva com base numa investigação inconsistente, que no início muitos de nós tentámos levar a sério, deveria merecer profunda reflexão. Após mais de dois anos de continuadas suspeições, que dificilmente alguma vez serão anuladas, o Tribunal da Relação de Lisboa considerou que os indícios em que se baseou a acusação "não se revestem da 'suficiência' que a lei, a doutrina e a jurisprudência exigem para que seja lavrado despacho de pronúncia". Não é, aliás, a primeira vez que a Relação se pronuncia contra o trabalho do Ministério Público. Ora, se este é um caso que o procurador-geral da República assumiu directamente, impõe-se que saiba retirar consequências. A investigação foi tudo menos rigorosa. E se isto aconteceu com uma figura política relevante, fica a interrogação sobre o que acontecerá a cidadãos anónimos sem meios para se defenderem. Se se pretendia demonstrar que a justiça portuguesa não se deixa intimidar pelo poder político, pelos poderosos, não poderia ser pior o resultado. Pior ainda se tivermos em conta que estamos perante um processo em que às vítimas da pedofilia não podemos acrescentar vítimas de uma justiça pouco escrupulosa. É evidente que nem o Ministério Público nem os juízes são infalíveis. Mas devem ser rigorosos, alheios a ajustes de contas políticos e, sobretudo, responsabilizáveis.
O desfecho do "caso Pedroso", peça importante do processo Casa Pia, surge num contexto em que os magistrados se assumem descaradamente em luta política. Usam um vocabulário pouco respeitoso. Desrespeitam-se, desvalorizam-se. E, mais grave, criam a suspeição de que os movem sentimentos políticos revanchistas. Quem leu um comunicado em que os juízes portugueses exigem que o Governo retire as "devidas consequências" de uma notícia requentada em que se aludia a um alegado comportamento pouco ético do actual ministro da Justiça quando desempenhava funções públicas há 17 anos em Macau, não pode deixar de ficar perplexo. Independentemente do que pensemos de Alberto Costa, o seu comportamento em Macau foi objecto de decisões judiciais que o ilibaram de qualquer falta. Ora, quando são os juízes os primeiros a desrespeitarem os seus actos e não olham a meios para atingir fins políticos, as razões de preocupação sobre a saúde do nosso Estado de direito não podem ser maiores. A deriva política de alguns operadores judiciais está a fragilizar a já debilitada justiça. Há quem não perceba que a forma pouco respeitosa como se coloca na praça pública se vira contra si. Há quem julgue que os portugueses ainda não perceberam que boa parte da lentidão da justiça se deve à pouca diligência dos tribunais. E que dizer do "caso Portucale", de que a justiça fez tanto espalhafato? Seis meses decorridos, o ex-ministro Nobre Guedes ainda não foi sequer ouvido. E que dizer da misteriosa busca sem suspeita a casa de Jorge Coelho? E que dizer da forma incompetente como se tentou esc rutinar os bancos? Tem razão José Ribeiro e Castro "O Estado de direito está torto." Está tão obcecado com os poderosos como impotente para qualquer investigação consequente. E, quanto ao cidadão comum, pouco se importa com ele. Os processos vão apodrecendo nos tribunais."

Usar em caso de emergência

sexta-feira, 11 de novembro de 2005

VI Congresso dos Advogados Portugueses


Realiza-se, em Vilamoura, nos próximos dias 17, 18 e 19 de Novembro, o VI Congresso dos Advogados Portugueses, tendo como tema base dos trabalhos “A Responsabilidade Social dos Advogados".
Encontram-se já disponíveis, no portal da Ordem dos Advogados, as comunicações dos Senhores Congressistas.

quinta-feira, 10 de novembro de 2005

Neste país....

"Os melhores cientistas portugueses estão no estrangeiro, o Prémio Nobel vive no estrangeiro, o melhor vinho do Porto pertence aos ingleses, Colombo é de Génova e o futebolista com mais títulos é português, mas não representa Portugal".
Pedro Paradela de Abreu, editor da autobiografia de Vítor Baía
Sublinhe-se "até rasgar a folha" que a atitude do seleccionador e dos responsáveis da FPF

que continuam sem dar uma justificação pública sobre a não convocação de um dos nossos melhores guarda-redes de sempre é, em minha opinião, uma tremenda INJUSTIÇA!

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

Justiça q.b.

"Ora vejam lá"

Absolutamente fantástico este post da Grande Loja do Queijo Limiano

Segunda, Terça, Quarta, Quinta,
Sexta, Sábado, Domingo
Vai a malta passear.
Chega à banca dos jornais
Só notícias de pasmar!
Segunda-feira- há o Souto na berlinda.
Na Terça-Feira- é o MP à pega.
Na quarta-feira- é o caso Eurominas.
Na Quinta-feira- vê-se um Coelho na toca.
Na Sexta-Feira- O Independente e o Costa.
E no Sábado- há o Expresso!
E ao Domingo?
Ao Domingo, tudo pró lixo!
Ora vejam lá! Ah Ah!
Ora vejam lá! Eh Eh!
Ora vejam lá- outra semana já aqui está!
Pois é!

1º contrato de compra e venda de imóvel com mulher incluída

Loira de 48 anos pôs a sua casa à venda e inclui-se no pacote, pode ver aqui o desenvolvimento do insólito. Dá-se preferência a compradores machos entre 40 a 60 anos de idade, inteligentes, chefes de cozinha pois a senhora percebe pouco do assunto. Exige-se também que seja um rambo aventureiro, gentil e generoso, com carreira profissional. Deve gostar de viajar e filhos duma prévia relação serão benvindos.

terça-feira, 8 de novembro de 2005

Encontro Nacional de Associações Jurídicas

Cá vos deixo, para mero conhecimento e análise, com as conclusões do encontro de associações jurídicas nacionais, grupo a que a AJP poderá vir a pertencer.

Frisando que "estão cientes de que o direito dos cidadãos a uma boa administração da justiça se sobrepõe a equívocos interesses pessoais ou corporativos dos seus associados", associações jurídicas e forenses aprovaram, num recente encontro nacional, uma proposta de Carta de Defesa dos Direitos dos Cidadãos na Administração da Justiça.O documento será enviado ao provedor de Justiça e à comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República e será apresentado e discutido no Congresso de Advogados, de 17 a 19 deste mês.Elaborado pela Associação Forense de Santarém e também subscrito pelas associações jurídicas e forenses de Braga, Maia e Oeste, pela Associação de Mulheres Juristas e pelo Centro de Documentação e Informação Jurídica, o documento sublinha o "urgente interesse nacional numa melhor justiça, mais participada, responsável e solidária".No entender dos promotores, a administração da justiça é, de acordo com a Constituição e no quadro de um Estado de direito, um serviço público vocacionado para a defesa dos direitos e garantias individuais. Deve, por isso, ser prestado com "adequada qualidade" por instituições que, "inseridas num sistema integrado de resolução de conflitos", assegurem "uma solidariedade social efectiva".A carta aborda sete áreas fundamentais para o bom funcionamento da justiça, considerando que estes princípios devem ser prosseguidos, aplicados e desenvolvidos por todos os indivíduos e entidades envolvidos na administração da justiça.A primeira respeita ao direito à informação e defende-se que todos os cidadãos têm direito a receber, em tempo oportuno, informações "adequadas, compreensíveis e completas" por parte dos diversos agentes da justiça sobre o exercício dos seus direitos, designadamente sobre tramitação e prazos processuais e sobre as consequências da sua inobservância. A carta propõe, por isso, a criação de gabinetes de atendimento ao público nos tribunais, com a função de informarem, orientarem e apoiarem os cidadãos nas suas relações com a justiça. E defende a aplicação do direito a obter cópia dos termos do processo sempre que tal não represente violação do segredo de justiça e do direito à comunicação dos actos e decisões em "linguagem clara e perceptível".A carta advoga também o direito ao respeito, frisando que todos os cidadãos têm direito a ver respeitada a sua dignidade e a não serem sujeitos "a práticas e comportamentos lesivos da sua integridade física, psíquica, moral ou social". O documento sustenta que devem ser claramente explicados eventuais adiamentos de diligências e que devem ser evitados comportamentos injustificadamente autoritários de magistrados e funcionários, a insensibilidade para com a vítima, obrigando-a a reviver desnecessariamente episódios traumatizantes, e a difusão da identificação de arguidos pela comunicação social durante a fase de inquérito criminal.O documento sublinha igualmente que os cidadãos têm direito a não serem discriminados no acesso à justiça pela sua condição económica, social ou cultural, considerando que não devem existir procedimentos burocráticos que limitem o recurso ao apoio judiciário ou obstáculos económicos e organizativos à apresentação de recursos.Processos não devem demorar mais de 4 anosA carta defende ainda o direito a instalações adequadas ao bom funcionamento da justiça e o direito a um processo célere. Considera, por isso, que todos os cidadãos têm direito a obter uma decisão definitiva de um processo em prazos que não excedam, sem justificação, os dois anos em primeira instância e os quatro anos em todas as fases possíveis do processo. Para isso, reclama um número suficiente de magistrados, de funcionários e de assessores e a definição de um número limite de processos a cargo de cada magistrado.Também referidos são o direito à qualidade nos serviços e nas decisões judiciais e na formação dos seus agentes e o direito à participação dos cidadãos e das suas associações representativas na discussão de propostas de reformas legislativas.

in Público, 2005.11.08

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

Com a máxima concisão....

Um professor, da Faculdade de Direito de Lisboa, perguntou a um dos seus alunos:

- Laurentino, se você quiser dar uma laranja a uma pessoa chamada Sebastião, o que deverá dizer?

O estudante respondeu:

- Aqui está, Sebastião, uma laranja para você.

O professor gritou, furioso:

- Não! Não! Pense como um Profissional de Direito! O estudante pensou um pouco e então respondeu:

- Está bem, eu refaço o que diria: Eu, Laurentino Marcos Rosa Sentado, Advogado, por meio desta dou e concedo a você, Sebastião Lingrinhas, BI 6543254, NIF 50829092, morador na Rua do Alecrim, 32, A, do concelho de Vila Nova de Gaia, casado, com dois filhos e um enteado, e somente a você, a propriedade plena e exclusiva, inclusive benefícios futuros, direitos, reivindicações e outros títulos, obrigações e vantagens no que concerne à fruta denominada laranja, juntamente com sua casca, sumo, polpa e sementes transferindo-lhe todos os direitos e vantagens necessários para espremer, morder, cortar, congelar, triturar ou descascar com a utilização de quaisquer objectos ou de outra forma comer, tomar ou ingerir a referida laranja, ou cedê-la com ou sem casca, sumo, polpa ou sementes, e qualquer decisão contrária, passada ou futura, em qualquer petição, ou petições, ou em instrumentos de qualquer outra natureza ou tipo, fiscal ou comercial, fica assim sem nenhum efeito no mundo cítrico e jurídico, valendo este acto entre as partes, seus herdeiros e sucessores, com carácter irrevogável, declarando Sebastião Lingrinhas que o aceita em todos os seus termos e condições conhecendo perfeitamente o sabor da laranja, não se aplicando, neste caso, o disposto na Lei da Defesa do Consumidor, com a modificação operada pelo DL 342 de 1979.

E o professor então comenta:

- MELHOROU BASTANTE, MAS NÃO SEJA TÃO SUCINTO.

Lido no blog Anidro

Prémio MTV Lisboa (melhor artista rock)

Os Green Day foram vencedores dos prémios melhor álbum e melhor artista rock

Deixo link p/ download da sua versão de I Fought the Law

sexta-feira, 4 de novembro de 2005

Apresentação pública da AJP e do seu plano de actividades

A Direito em Debate - Associação Jurídica do Porto tem a honra de convidar todos os seus associados para comparecerem em jantar/convívio, a ter lugar no restaurante da Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, no próximo dia 29 de Novembro, pelas 20.00 horas, reservado exclusivamente para este evento.
Este jantar destina-se à apresentação pública da AJP, bem como ao conhecimento mútuo de todos os seus associados, exposição e discussão informal do plano de actividades.

Agradece-se confirmação por escrito, até ao próximo dia 23 de Novembro, com envio de carta para a morada da sede da associação: Rua Barão Forrester, 693 – 2º, 4050-273 Porto, acompanhada do pagamento correspondente a € 30,00 por pessoa.

Estou pasmado e sinto-me injustiçado

Basta! Posso garantir ao Sr. Ministro que enquanto advogado nomeado oficiosamente sempre dei o meu melhor no exercício do patrocínio e aguardei meses ou anos para que fosse pago pelo meu trabalho. E ainda sou do tempo que a tabela já não era actualizada há uns dez anos, pelo que o meu 1º julgamento com 3 sessões, rendeu-me 5.000$00.
Estas declarações do Sr. Ministro são uma tremenda injustiça e há motivos óbvios para os advogados ficarem indignados, como justamente dá conta o ilustre Bastonário, Dr. Rogério Alves.
É realmente um pouco escusado que o Sr. Ministro justifique a redução das verbas não "porque não tem dinheiro", mas dizendo que "é porque as defesas não são decentes", na lógica de que se digo que é mau, pago menos.
Ainda vamos ter uma greve de advogados oficiosos.
Haja bom senso!

"Eles" estão entre nós e usam beca...

O advogado Marinho Pinto tomou-se no exorcista de serviço às TV, para esconjurar os demónios que se acoitam nos corredores da justiça a atazanar arguidos, queixosos, testemunhas e advogados. Cabe-lhe a honra de ter sido o único a aperceber-se de que a beca é o disfarce ideal para o Mafarrico (pois lhe pois lhe permite esconder a cauda sem levantar suspeitas). As televisões pelam-se por personagens destas, capazes de impedir qualquer debate de resvalar para a monotonia própria das discussões sérias. No momento certo, o moderador pronuncia as palavras mágicas “juiz” ou “magistrado” e desencadeia uma sucessão vertiginosa de reacções pavlovianas no advogado Pinto, que começa a agitar-se na cadeira balançando o tronco para a frente e para trás e pondo e tirando os óculos de ver ao perto, até arrancar como uma locomotiva a vapor, no meio de nuvens de fumaça e chinfrineira de ferragens, investindo contra as Torres Gémeas do eixo do mal, a Magistratura Judicial e a Magistratura do Ministério Público, culpando-as de todos as desgraças que afligem a Humanidade, do buraco do ozono ao pé de atleta e à queda do cabelo. O país precisa de gente de tal têmpera, de gente, como o advogado Pinto ou como Jardim, que no se cala (o problema é justamente esse, calá-los...)
Manuel António Pina - POR OUTRAS PALAVRAS - JN 31OUT05
Lido no blog Cum Grano Salis

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

Ao que andamos...

In O INDEPENDENTE, 28/Outubro/2005 (via verbojuridico.net)
José António Barreiros. O Advogado José António Barreiros quebra um silêncio de 16 anos e aceita falar sobre como demitiu, em Macau, o actual ministro da Justiça, na sequência de tentativas de pressão sobre um juiz feitas por Alberto Costa.
«QUISERAM PARA MINISTRO QUEM EU NÃO QUIS PARA DIRECTOR DE SERVIÇOS»
Qual a razão verdadeira por que demitiu Alberto Costa em 1988 do cargo que ele desempenhava em Macau. director dos Assuntos de Justiça?A razão verdadeira é a que está escrita. Achei que estava quebrada a confiança pessoal, profissional e política na pessoa dele e que a Administração Pública de Macau não podia conviver com um tal dirigente, que tinha tido uma "conduta imprópria" como a dele. Isto mesmo face aos critérios de Macau.
Mas o governador Carlos Melancia revogou o seu despacho.É verdade, mas não na parte em que o demitia, só na parte em que eu dizia por qy.e o tinha demitido. Foi uma situação única, caricata, mas sintomática. O governador parecia incomodado com o que eu dizia no despacho de demissão. Mas o que eu escrevi na fundamentação do meu despacho foi a mera cópia do que concluiu o inquérito disciplinar que ele próprio mandou instaurar: que Alberto Costa tinha contactado o juiz, à revelia da tutela, alegadamente para o elucidar sobre os aspectos técnico-jurídicos e económicos do caso; e esclarecimentos que, em seu entender, justificariam uma revisão da sua decisão ou decisões sobre a situação prisional dos arguidos e, eventualmente, a sua cessação e subsequente soltura.
E porque haveria o governador de estar incomodado, a ponto de se dar ao trabalho de revogar a fundamentação do seu despacho. mesmo não revogando o despacho?É uma longa história. Mas uma coisa boa resultou para Alberto Costa desta actuação bizarra do governador: que ele, recorrendo para os tribunais administrativos do despacho do governador, que o demitia sem fundamentação, ganhasse a causa, com razão, e fosse contemplado com uma lauta indemnização. Bem lhe pode agradecer.
Mas de que história se tratava?A história que toda a gente veio a conhecer e com a qual ninguém se incomodou: o processo em causa desembocava, então, nos meandros da aquisição pela empresa Emaudio de uma participação no milionário negócio da televisão de Macau. Ora, se pensarmos em quem eram os sócios da Emaudio, os interessados e os beneficiários no negócio...
E quem são?Não me peça pormenores. Tudo isso faz parte de uma história a que ninguém quis ligar, em que todos, hipocritamente, viraram a cara para o lado. Digamos, o senhor Robert Maxwell, que está sepultado no Monte das Oliveiras, em Israel, e os seus amigos portugueses. Grandes amigos e amigos grandes.
Envolvendo...Envolvendo quem estava no negócio e todos aqueles que tinham a obrigação de se terem preocupado com essas e outras questões que vieram a seguir e que as deixaram passar em claro, mesmo quando foram escândalo público. Eles estão aí.
Acha que Alberto Costa estava ao serviço desses interesses?Não tenho que achar o que ninguém achou. Ele disse que tinha ido falar com o juiz para esclarecimento técnico-jurídico recíproco, a nível académico, e sobretudo face a "perplexidades" de amigos dele, um dos quais, segundo ele denunciou, assessor da Presidência da República. Pelo que, no seu entender, tudo se passou numa basé de amizade, confiança pessoal, etc.
Mas o juiz não considerou isso...Pelo menos na manhã seguinte queixou-se por escrito, por envolver um funcionário sob minha tutela. E tinha Costa ido, por duas vezes, como cidadão ou como director, falar com o juiz - não foi falar com um amigo mas sim com um juiz em funções - por causa de um processo-crime a seu cargo em que havia duas pessoas presas preventivamente. Aliás, o juiz não era amigo dele. Ele é que vinha por causa das "perplexidades" dos seus próprios "amigos". Enfim, eis uma curiosa maneira de considerar a magistratura: considerar nonnal que um dirigente da administração pública fale com juízes com processos com presos a cargo, para os fazer rever decisões nesses processos e depois dizer que isso foi feito a nível académico e a título particular. E foi isto o que sucedeu.
Abandonou o PS por causa do caso Alberto Costa?Sim. Escrevi uma carta a Vítor Constâncio, então secretário-geral, a relatar o que vi em Macau e, ao regressar, onde andavam muitos socialistas e ao que andavam. Nem tive resposta. Ou melhor: o chefe de gabinete dele respondeu-me a dizer que o PS "nada tinha a ver com Macau"! Hilariante.
E o PS tinha a ver com isso?Não sei se deva confundir o PS com os negócios, os interesses e as ambições de certas pessoas, por mais bem colocadas que estivessem dentro do partido. O PS foi, aliás, o único partido em que estive, inscrito em 1974 por proposta de Francisco Salgado Zenha. Desde que saí não voltei nem voltarei a qualquer partido. Concorri a Sintra pelo PSD, mas como independente. E hoje estou a anos-luz da política e destes políticos.
Mas ficou agastado com a história...Não tinha que ficar. A consequência directa de ter demitido Alberto Costa foi ser demitido pelo Presidente da República, Mário Soares, alegadamente a meu pedido. É verdade que foi a pedido: não queria continuar. Mas é também verdade que já ninguém me queria ali. Cada um de nós foi - desculpe o óbvio igual a si próprio. E não pense que tive orgulho no que fiz. Tive vergonha de ter de conviver com isto e de assistir ao que se seguiu.
Mas o que se passou na realidade?O inquérito disciplinar mandado instaurar pelo governador considerou que a conduta de Alberto Costa não integrava uma "pressão sobre magistrado", de onde não era fonte de responsabilidade disciplinar ou criminal mas uma simples "conduta imprópria" da parte dele. Garo que o hoje ministro tenta desvalorizar a conclusão do inquérito dizendo que é uma simples" opinião". Isto na parte em que diz ter sido uma conduta imprópria da sua parte, porque quanto ao resto - o não ser infi-acção disciplinar - já acha que é o seu certificado de boa conduta. Do que ninguém se livra é dos factos.
Surpreende-o vê-lo agora ministro da Justiça?Já poucas coisas me surpreendem. Mas, ao ter visto na altura que no rol de testemunhas de Alberto Costa no processo disciplinar estavam Jorge Sampaio, Jorge Coelho, Jaime Gama e António Vitorino, percebi logo o que ainda hoje entendo muito bem: aquele rapaz tinha futuro na política. Um grande futuro.
Mas eram testemunhas abonatórias...Claro, e numa fase em que o processo nem sequer acusação tinha. Eram pessoas que, segundo ele, podiam testemunhar o seu "perfil moral, profissional e cívico". Por isso indicou também dois juízes e um procurador-geral-adjunto.
Quem?Acha que isso interessa?.. Note, eu não quero confundir. Uma coisa são os amigos "perplexos" do dr. Costa, por causa dos quais ele foi falar com o juiz, outra as pessoas que se prestaram a ser citadas como testemunhas de carácter. Houve quem me escrevesse depois a explicar-se, alegando que não sabia ao que ia. Felizmente guardo tudo em lugar seguro, o pior dos quais ainda é a minha memória.
Seja franco. pensa que ele tem perfil para ser ministro da Justiça?Quiseram para ministro quem eu não quis para director de serviços. São critérios. Mas o problema não é ele ser ministro agora. O problema é ele ter sido deputado, ministro da Administração Interna e sei lá mais o quê. Acho que quem permite isso e com isso coexiste que responda. Eu respeitei-me, demitindo-o. Ponto final.
Não pensa que isto está agora a ser agitado por causa da greve dos magistrados?Não imagino o seu jornal ao serviço dos grevistas... Acho que isto preocupa muitos magistrados, o saberem o currículo do ministro que lhes coube desta, embora alguns "quadros" tenham uma postura mais complacente...
Está a referir-se a quem?Aos que gostam, a nível sindical, de negociar com dirigentes fracos ou enfraquecidos. Esses, quando dialogam com o poder, fingem ignorar os defeitos e exaltam mesmo discretamente alguma virtude, na mira do melhor para as suas reivindicações...
Isto aconteceu há muito tempo...Isso de Macau, pois a complacência com a criatura é de hoje. Pois foi. Aliás, curiosamente, no "site" do Ministério da Justiça, S. Exa. omite esta sua função de director do Gabinete dos Assuntos de Justiça em Macau, de que o demiti. No "site" do PS é que vem esta parte do seu currículo. Muito interessante, não acha?
Posso perguntar-lhe por que motivo aceitou falar agora?Porque, finalmente, a nível dos factos, se sabe agora tudo - e está tudo documentado -, para que quem quiser julgar julgue por si. A revelação pelo blogue Verbo Jurídico [ver link alternativo] do acórdão do Tribunal Administrativo é o ponto final. Nada fica à mercê de especulações. Percebe-se enfim quem é quem. Alberto Costa escreveu um dia um livro a que chamou "Esta não é a Minha Polícia". Eu, que ando pelos corredores da Justiça, posso dizer: este não é o meu ministro. Só que sei porquê - e explico. Neste momento talvez seja uma boa altura para se explicar. Talvez haja quem, finalmente, queira ouvir pelo menos parte da história. Não é que algo mude. É só para não fazerem de conta.

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Como uma má defesa pode beneficiar um réu

A história é incrível e pode ser lida na revista Law, passou-se nos EUA, um tal de Warren Summerlin estava no corredor da morte no Arizona em 1982 após ser condenado por violar e assassinar uma mulher que pretendia cobrar-lhe uma dívida.
Aconteceu-lhe de tudo, num primeiro julgamento o seu defensor e a procuradora do MP renunciaram ao caso depois de se descobrir que andaram a discutir o seu caso na cama...
Designado novo julgamento, o seu novo defensor era tão mau que não explorou a história de doença mental do arguido, não disse ao Tribunal que a família o torturava, que a sua mãezinha alcoólica lhe batia frequentemente e punia-o fechando num quarto com emanações de amónia. O seu advogado também não alegou que o seu cliente era analfabeto, com dificuldades de aprendizagem e esquizofrénico. Nunca indicou que seu cliente recebeu repetidos tratamentos de choques eléctricos e que lhe estavam prescritas drogas anti-psicóticas.
Com uma defesa inexistente, não se estranha que o Juiz tenha condenado o Summerlin à pena capital.
Mas não acabam aqui as suas peripécias, pois anos depois este mesmo Juiz, foi acusado e condenado no Texas por realizar os seus julgamentos "marijuanado".
Tudo isto originou vários recursos, revisões, habeas corpus, até que o Supremo Tribunal de Justiça Norte Americano decidiu em 2002 (Ring v. Arizona, 536 U.S. 584) que apenas um júri, e não um juiz - ainda que estivesse pedrado - poderia decidir a sentença de morte.
Em resumo, o que é fantástico é que o nosso réu, que esperou pelo seu terrível destino durante 23 anos, acaba por se livrar da pena de morte, requerendo uma reversão da sentença por causa de um advogado lascivo, um juiz pedrado e pela negligência do seu segundo mau advogado ao defendê-lo, tendo sido a conduta deste mau advogado que por ora o livrou da pena capital.

III Encontro Anual do CSM

Pelo presente apresento o Programa do III ENCONTRO ANUAL DO CONSELHO SUPERIOR DA MAGISTRATURA (carregar no link), que irá decorrer na cidade do Porto, nos próximos dias 11 e 12 de Novembro de 2005, sendo que neste segundo dia o debate será moderado pelo Exmo. Senhor Presidente da Direito em Debate - Associação Jurídica do Porto - Dr. Paulo Duarte Teixeira.

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

Uma greve traz sempre resultados.....

Sensibilidade e bom senso

Diz-me a minha sensibilidade (que concedo possa ser limitada ou imperfeita) que os juízes e M. P.'s poderão fazer greve para defesa dos seus direitos e interesses de natureza puramente laboral. Pelo menos, tal ideia não me choca.
Contudo, diz-me o meu bom senso, este sim definitivamente limitado, que uma greve dos magistrados, pela especial natureza das funções que exercem, deverá ser exercida com algumas limitações próprias. Não se trata, rigorosamente, de serviços mínimos, mas apenas de provar à opinião pública que os orgaõs de soberania também sabem pensar e ter a tal sensibilidade.
Então aqui ficam alguns exemplos do que não se pode/deve fazer:
- Realizou-se um funeral ontem durante a tarde. Mas o corpo do falecido teve de pernoitar, no cemitério ali pousado ao ar, por falta de guia de enterramento a ser assinada por um magistrado que a tanto se recusou por estar de greve;
- Agendado julgamento em tribunal criminal, ordenou sabiamente o juiz que o arguido fosse conduzido sob detenção para comparecer. Ora, não se realizando a audiência por greve dos magistrados, não se soube, até ao meu conhecimento, como soltar o dito arguido, pois ali não existia quem o pudesse ordenar.
COMO É QUE ISTO É POSSÍVEL?
Assim não luta sindical ou corporativa que sobreviva a dois dias!!!! Mas pior, assim perdem eles - magistrados - mas também todos os operadores forenses, quealquer poder real de intervenção e de mobilização da opinião pública para qualquer causa que um dia efectivamente interesse!

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

Greve dos Juízes

Texto do Dr. Pedro Cruz, enviado à lista Ciberjus, cuja publicação neste blog o autor gentilmente autorizou e com o qual estou pessoal e inteiramente de acordo:

"(...) Quanto a mim os Juízes não devem fazer greve por razões particulares, por mais legítimas que sejam.
Não, apenas, por serem titulares órgãos de soberania, como tem sido referido, mas porque correm o risco de serem vistos como partes (reivindicadoras), assim caindo do seu pedestal, de independência e autoridade, onde deveriam permanecer.
Não sei se a dessacralização da figura o juiz é útil ou, pelo contrário, desnecessária e perigosa. Sei que, a ser feita, não o deve ser desta maneira.
Receio que, neste caso, os juízes tenham engolido o isco. Com prejuízo para o seu prestígio e mesmo autoridade, acabaram por deixar que lhes fosse enfiada a carapuça de simples funcionários públicos privilegiados que, alheados da situação de crise que o país atravessa, reivindicam a manutenção a todo o custo das suas benesses e mordomias.
Os juízes deveriam ter-se resguardado, coordenando efectivamente a sua estratégia e actuação com os magistrados do M.P., com os advogados e mesmo com os funcionários judiciais.
Imaginemos a seguinte estratégia alternativa:
- Os magistrados do M.P. e os funcionários judiciais fariam a greve, divulgando-a o mais possível… Mas não ficariam em casa. Nas mesmas datas organizariam umas quaisquer jornadas de debate ou formação, não deixando de destacar pessoas para assegurarem os serviços mínimos e para, à porta dos tribunais, explicarem ao cidadão, utente ou convocado, as razões da greve, lamentando sinceramente os incómodos causados.
- Os juízes, gravemente, quiçá em conferência de imprensa, em prime time, na sequência de congresso ou assembleia, e de audiência com o P.R., manifestariam a sua total concordância com a luta dos colegas do MP e a sua grande preocupação e indignação pela forma injusta, acintosa e inaceitável com que têm sido tratados pelo Governo.
- Acto contínuo, o Bastonário e a O.A. reiterariam a preocupação dos juízes, salientando que o Governo deveria dedicar-se a resolver as questões prioritárias na Justiça, que muito convenientemente têm sido mais ou menos esquecidas.
- Na medida em que tal fosse possível, o CSM – alguém com boa presença frente às câmaras –, afirmaria também a sua preocupação com o estado da justiça e com o mal-estar dos magistrados.
- Noutra altura, mais tarde, tb em prime time, os juízes explicariam, muito bem explicadinhas, as razões pelas quais deixaram e deixariam de pactuar com as situações inadmissíveis que se passam nos tribunais: falta de salas, falta de material e de condições de trabalho, excesso de processos, etc.
- Entretanto, a TVI, que gosta de escândalos, seria discretamente convidada para fazer reportagem(s) em algumas secretarias e salas de audiência, mostrando, p.e., a selva de processos, as cassetes usadas nas gravações e a qualidade destas, as dificuldades em iniciar as teleconferências e as despesas respectivas, relatando um ou dois casos, que abundam, da dificuldade ou impossibilidade dos cidadãos pedirem justiça em virtude do montante obsceno das taxas de justiça (eu próprio poderia indicar alguns), ou a indignação de uns quantos exequentes.
- A Associação Sindical poderia, até, encomendar a alguma agência de criativos uma campanha de propaganda, discreta mas incisiva e objectiva, de divulgação das principais carências nos tribunais e, em contraponto, dos sucessos apesar de tudo obtidos.
Nessa altura, comentadores lúcidos, independentes e demolidores, como, p.e., António Barreto, VPV, J P Coutinho ou Pacheco Pereira, não deixariam de dar o seu contributo para, como tanto gostam, enterrar o ministro e a sua política. Outros, rapidamente se associariam, em coro. O PSD e o CDS, como não poderia deixar de ser, acabariam por cavalgar a onda, assumindo politicamente a indignação. Nessas circunstâncias, o Alegre candidato presidencial (pelo menos ele), provavelmente, também.
Acossado pelos jornais e pela opinião pública, o nosso primeiro trataria de salvar o prestígio do governo, substituindo o desastrado ministro (não seria a primeira vez…), para sacudir a água do capote, atribuindo-lhe a autoria e o odioso da política de afrontamento, enterrando-a, passando a aparecer como uma vestal dedicada ao(s) templo(s) da Justiça e aos seus sacerdotes.
Em suma, a voz unida de todos aqueles que lidam profissionalmente com a justiça poderia lançar em descrédito uma política perigosa e inteligente, executada por políticos medíocres.
Este ministro, que se encheu de ridículo na luta contra os polícias, tem (aos olhos do público que se alheia destas coisas) saído a ganhar na luta contra os magistrados… Eu, se fosse juiz, preocupava-me e ficaria desgostoso, como o Dr. João Gomes de Sousa
(texto infra citado). Eu, como advogado e humilde servidor da Justiça, preocupo-me e cada vez estou mais desgostoso e com vontade de bater a porta.
A greve do juízes deveria ter sido guardada como meio de luta a usar nos combates mais decisivos que porventura se advinham e onde venham a estar em causa, directa e inquestionavelmente, questões como a independência do poder judicial, etc., não deixando os juízes de aparecer, sempre como defensores desapegados e abnegados, do interesse exclusivo dos cidadãos.
"
Pedro Cruz

Greves

Não há nada melhor do que uma greve num dia de sol. As férias sabem sempre a pouco. As faltas dão sempre uma sensação de sentimento de culpa. Os fins de semana passam a correr. As greves sim, é que valem a pena.

Dantes, as greves eram feitas para ter direitos. Hoje são feitas para manter direitos. Logo, estamos pior do que nas mais escuras trevas da idade média.

Dia Nacional da Desburocratização

No próximo dia 27 de Outubro de 2005 (por ser a última Quinta-feira do mês de Outubro) celebra-se o Dia Nacional da Desburocratização.
Com o Dia Nacional da Desburocratização pretendeu-se “instituir anualmente uma jornada especialmente consagrada à simplificação, facilitação e participação dos cidadãos utentes na actividade dos serviços; com ela procura-se sensibilizar e dinamizar vontades, promover iniciativas e mobilizar recursos, na perspectiva de que a Administração Pública tem de enfrentar com êxito os desafios que lhe são colocados e dar resposta positiva às exigências da modernidade”, como se afirmou na Resolução do Conselho de Ministros de 1990, que criou a efeméride a assinalar.
No D.R. de hoje veio publicado o Despacho Normativo nº 48/2005, como, aliás, acontece todos anos com Despacho de idêntico conteúdo, mas de nomenclatura revista e actualizada, onde se autoriza a Imprensa Nacional Casa da Moeda a publicar o D.R. do dia Nacional da Desburocratização em cor VERDE.
Assim, no próximo dia 27 de Outubro, aqueles que recebem a publicação do D.R. em formato papel, terão o prazer de constatar no verso do Jornal Oficial, a seguir à ficha técnica, que: “O D.R. de hoje é publicado em cor verde, conforme autorização do despacho Normativo nº 48/2005 da Presidência do Conselho de Ministros, publicada no D.R. de 26 de Outubro de 2005”.
Já aqueles de nós que fazem a consulta moderna e ecológica “on-line” permanecerão orgulhosa e burocraticamente daltónicos…
Os factos falam por si. Penso não ser necessária maior prova de que o Estado Português não tem consciência nem sentido de ridículo.
Que outro País da Comunidade Europeia perderia tempo e dinheiro num penoso processo que, ano após ano, implica um pedido de autorização prévia, a sujeição da proposta a um Conselho de Ministros, a sua votação, remessa para publicação no D.R., e menção da autorização no D.R. objecto de transformação, apenas para que esta mude a cor do papel para verde… Ainda para mais para celebrar a desburocratização...
Paradigmático, não?
Se o dia Nacional da Desburocratização tivesse honras de campanha publicitária o slogan só poderia ser: “desburocratize… complicando”.

terça-feira, 25 de outubro de 2005

Greve dos Juízes

Sugiro a leitura do texto do Juiz de Direito, Dr. João Henrique Gomes de Sousa, no blog da Ciberjus

Associação Jurídica: para que serve?

É a questão a colocar desde que vi a fotografia do grupo fundador. Ok, os formalismos já estão agora falta apenas a substância, os fins e as acções para lá das palavras que façam com que a Associação Jurídica do Porto se afaste do Inferno das boas intenções, pois outros hades existem que merecem muito mais tempo e atenção, sendo o primeiro de todos a considerar, pela sua extensão e horror: o sistema judicial português.
É lento, é em grande parte ultrapassado, falível e criador de atraso económico e social. Não tem capacidade de servir a Cidade e os Cidadãos. Serve-se a si mesmo e aqule grupo dos que vivem à sua custa. Em suma, todos nós e mais alguns.
Advogados, Juízes, o Ministério Público, Solicitadores, Funcionários Judiciais, Carcereiros e Guardas prisionais, Serralheiros, Empresas de Transcrição, os Senhores das Ordens, Partidos Políticos, Deputados, Associações disto e daquilo, a Deco, Jornalistas, etc. (you name it)
É claro que também se diz por aí que serve a Justiça. Especialmente quando a decisão nos agrada.
Mas quantas vezes é que serve aquele que é privado dos seus direitos? Ou que quer que estes sejam efectivamente reconhecidos e aplicados?
Para que aqui haja Direito é preciso contribuir para a mudança. E essa é mais do que um ideal é, actualmente, uma obrigação. Se a Associação vai servir como meio de destaque ou de protagonismo dos seus membros, então tudo fica na mesma.
Se vai traçar objectivos claros, de forma séria e tenaz, criando diálogo e impulsionando a procura de soluções. Se servir como contra-poder aos poderes estabelecidos, que não são as Instituições mas as pessoas que se servem delas. Se vai "fazer" em vez de "pensar fazer", então haverá futuro e esperança que, mesmo que as coisas não mudem, fizemos para que isso acontecesse.
E para combater um problema é primeiro preciso identificá-lo. Chamem-lhes clãs, organizações, partidos, grupos económicos, teorias da conspiração, chamem-lhe o que quiserem.
E - em caso de dúvidas - recordem só o que era suposto acontecer, o que inicialmente era mais importante. Seria utilizar os vossos conhecimentos para ajudar a melhorar a vida de todos ou enriquecer à bruta?
Podem exclamar que é diálogo de escola primária, de pecado capital à igreja medieval, de que somos todos perigososo revolucionários comunistas. Que somos o produto primogénito dos testículos de Satã. No entanto, lembro ainda que para a grande maioria, os Príncipios Morais não começaram com códigos deontológicos.
É piegas e absurdo mas quantas vezes sentiram que tinham que fazer algo para mudar esta cidade, este país? E porque é que desistiram? Os Vossos Pais e Avôs fizeram muito mais num dia da vida deles por ideais como Liberdade, Igualdade e Direitos Fundamentais, do que Vocês em 30 anos de vida e isso não nos envergonha?
A principal função da Associação, na minha opinião, deveria ser fazer a ponte entre os técnicos e os cidadãos.
Explicar porque é que isto não é assim tão obscuro. Mostrar que não somos deuses porque fazemos sentenças com 40 páginas. Ou heróis mitológicos quando a nossa hora de consultas vale metade do ordenado mínimo de um trabalhador que não teve a felicidade de ter o papá na politica ou um avô com escritório por aí...
É claro que isso também passa por tentar fazer leis mais justas e claras. Para que não haja Pareceres com linhas escritas a ouro. E empresas de direito ( aka as sociedades do costume ) com influênzia nos corredores do poder. Não ter medo de permitir o debate público. Arranjar soluções. Desmistificar. Dessacralizar.
Esta é a hora de, como diriam os Public Enemy, Fight the Power Back.

O primeiro (mau) conselho jurídico


Serpente:

- Vai em frente Eva, tu és primária, vai ser a tua primeira ofensa, não tens nada a temer....

- Adão, Adão, a Sua política de tolerância zero é claramente inconstitucional

sábado, 22 de outubro de 2005

Bibó Porto

«Se na nossa cidade há muito quem troque o v por b, há muito pouco quem troque a liberdade pela servidão».
Almeida Garrett

Palavras caras

Diz a lenda que o nosso "assessor de imprensa" e que faz censura aos que tentam fazer textos de apresentação da associação (vocês sabem de quem é que estou a falar!) , ao chegar a casa, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal. De imediato, constatou haver um ladrão a tentar levar os seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o a tentar saltar o muro com seus amados patos, disse-lhe:
- Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo acto vil e sorrateiro de profanares o recôndido da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada.
O ladrão, confuso, diz: - Doutor, eu levo ou deixo os patos?

sexta-feira, 21 de outubro de 2005

Efeméride

Temos o prazer de anunciar que o nosso distintíssimo Ricardo Nascimento não nasceu ontem mas sim hoje ( não neste ano...).
Parabéns Ricardo e grande abraço.

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

Autorização para implantação comercial: a conferência

No próximo dia 26 de Outubro, pelas 9.15 horas, no Palácio da Bolsa, vai-se debater o regime de autorização para instalação e modificação de estabelecimentos de comércio a retalho e de comércio por grosso em livre serviço e instalação de centros comerciais, aprovado pela Lei n.º 12/2004, de 30 de Março, o respectivo enquadramento no âmbito das disciplinas mais amplas da regulação pública da actividade económica e do direito das implantações comerciais.
Para debater o assunto vão estar presentes o Dr. Fernando Serrasqueiro (Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor), a Prof.ª Maria Manuel Leitão Marques (Coordenadora da Unidade de Coordenação da Modernização Administrativa), a Prof.ª Margarida Pereira (Investigadora Universitária na área do planeamento regional) , o Dr. Paulo Rangel (Deputado e assistente da UCP), a Dr.ª Marta Portocarrero Carvalho (Assistente da UCP), o Dr. José António Rousseau (Director-geral da APED), o Dr. José António Cortez (Assssor da Direcção da CCP) e António Vigário (Advogado).
O programa, a ficha de inscrição e outras informações estão disponíveis no sit www.mvb.pt.
Para quem não tiver disponibilidade de assistir à conferência, bem como para quem tiver essa disponibilidade, recomenda-se a aquisição da obra “A Autorização Administrativa para Implantação Comercial – Enquadramento no Direito das Implantações Comerciais ou Urbanismo Comercial e Novo Regime Jurídico”, editada pela Almedina, o que além de enriquecer as respectivas bibliotecas, sempre enriquecerá igualmente, ainda que em bem menor medida, o respectivo autor.

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

Do Portugal Profundo no banco dos réus

Realiza-se hoje em Alcobaça o primeiro julgamento de um autor de blogue.Trata-se de António Balbino Caldeira, autor de Do Portugal Profundo. Um processo a seguir com muito interesse.

Condições dos Tribunais

Recomendo a leitura do post "Luta para todos os cidadãos" no blog Lex Legum sobre as condições dos nossos Tribunais.

Radio Restaurante

E como nem só de direito vive o Homem, depois do infecto antro da "mala vita" onde juristas giram pratos, informamos que já abriu o serviço de restaurante no vosso cheers de miragaia onde existe uma ally macbeal a trocar os b´s pelos v´s por detrás de cda sorriso.

Depois do irmão mais velho em www.radio167.blogspot.com ( onde se dança e bebe ), falo de www.radio167restaurante.blogspot.com ( onde as tardes em frente ao Douro são para verdadeiros gourmets ).

terça-feira, 18 de outubro de 2005

"Malmequer pro reu"

Sensação de "déjà vu"


Honoré Daumier, Vous avez perdu votre procès c’est vrai… mais vous avez du éprouver bien du plaisir à m’entendre plaider

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

Aqui estamos nós!

Realizou-se na passada sexta-feira a escritura de constituição da Direito em Debate - Associação Jurídica do Porto.
Este é o ponto de partida para a prossecução dos anunciados objectivos da "AJP":
- Afirmar-se e acreditar-se como força social para a defesa do Direito e da Justiça;
- Realização de estudos jurídicos, conferências e seminários sobre questões problemáticas das diversas áreas do Direito;
- Potenciar o diálogo permanente entre todos os operadores judiciários;
- Propor medidas legislativas, regulamentares ou outras respeitantes à Justiça;
- Editar em qualquer suporte material estudos, comentários e artigos sobre o Direito e a Justiça e criar estruturas ou serviços próprios para alcançar os seus objectivos.
O nosso blog para além de "Ágora cibernético" de assuntos jurídicos funcionará também para publicitar as iniciativas da associação.
Se desejar inscrever-se como associado ou qualquer esclarecimento s/ a nossa associação p.f. escreva para: direitoemdebate-ajp@sapo.pt

quarta-feira, 12 de outubro de 2005

(In)celeridade processual

É absolutamente incrível - propus várias execuções em 8 de Outubro de 2004 nos Juízos Cíveis do Porto. Com a criação dos novos Juízos de Execução, estes processos foram transferidos p/ o novo Tribunal, dando entrada somente em 6 de Janeiro de 2005. Tendo comemorado com a minha cliente o 1º aniversário de execuções paradas, recebemos ontem como prenda a tão desejada distribuição.
Um ano para a tramitação efectiva de um processo para felicidade dos devedores, vamos ver quanto tempo ainda vai decorrer nas mãos dos solicitadores.
E agora "la piéce de la resistence", neste tempo houve um executado que pagou voluntariamente a sua dívida - informei o Tribunal, para que fosse julgada extinta a execução e o despacho (legal pxtáclaro! - art. 267.º n.º 2 do CPC): "as custas deverão ficar a cargo da exequente, dado que, e atento o teor dos presente autos, o executado nunca foi citado ou notificado nos termos do CPC" (por causa do estado vegetativo dos Juízos de Execução, acrescento eu). Mas não se preocupem, nós somos um povo de brandos costumes e a minha cliente prefere receber a dívida, mesmo com o prejuízo da taxa de justiça, até há quem se contente com a simples dedução do IVA das facturas, para o qual foi recentemente criado um novo regime fiscal dos créditos incobráveis. Que mal vai a Justiça do meu país!

terça-feira, 11 de outubro de 2005

Aprender com os erros - ou o "Perfect Mistake"

Era segunda feira à noite e chovia....
O céu estava de um cinzento carregado (quase a cair sobre as nossas cabeças) e entendi que, em homenagem à dantesca monday day sickness, deveria colocar a alma ao serviço de um fim útil - pensava, ingenuamente.
Conduzido por tão grande crivo moral, parei o carro mesmo à entrada da Uniiversidade Católica - não sem me livrar da respectiva "molha" que torna a quimera mais artística - e dou por mim sentado num auditório, face a face com el grande ex-bastonário, Sr Dr. José Miguel Júdice.
O propósito era, também ele, nobre! Novos desafios para o direito português.
Abreviando o início e desenvolvimento da patologia avanço só com o respectivo diagnóstico.
Deverá haver sempre o cuidado de dotar qualquer conderência/ iniciativa de um casting adequedo e de um tema exequível/ inteligível.
O resultado da dita foi um desastre.
Ideias redondas lançadas ao ar por um profeta messiánico, com a aclamada impotência de, sozinho, resolver o que quer que seja - lançada às feras (dezenas de estagiários que, em espamos pré-dolorosos, massacravam repetidamente o seu telemóvel com sms para o espírito santo jurídico) ávidas de encarar um sacro-santo.
Deve atentar-se na precisão, pragmatismo e valência de quem devemos ouvir e, sobretudo, de quem propomos para que outros ouçam...
Nem numa segunda feira tão feia e chuvosa merecia tal sorte!!!!

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

Sobre blogs "by, for and about lawyers"

Artigo de Jonathan Glater no The New York Times

Quero associados participantes e interventivos....

As regras do direito não estão encerradas nos Códigos – como numa vitrina; operam na vida, pelo que não basta lê-las, para as conhecer; torna-se necessário vê-las agir, quer dizer, ver como os homens se comportam relativamente a elas; só assim as leis mostram, mais do que a sua aparência, a sua substância, ou seja, o seu valor”.

FRANCESCO CARNELUTTI
(Metodologia do Direito)

Eu acrescentaria a importância de discuti-las - é para isto que serve a Direito em Debate.

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

STJ Brasileiro julga pedido de recompensa de vidente que indicou o paradeiro de Saddam Hussein

Esperamos que o Mago Alexandrino não veja esta notícia:
STJ julga cabimento de pedido de recompensa de US$ 25 mil por paradeiro de Saddam Hussein

Está na pauta da sessão da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) do próximo dia 6 de outubro o julgamento do cabimento do pedido de recompensa no valor de US$ 25 milhões apresentado pelo "paranormal" Jucelino Nóbrega da Luz contra os Estados Unidos da América. A ação original foi extinta sem julgamento do mérito pelo juízo federal, ao entender não ser cabível tal pedido, que não seria de competência da Justiça brasileira. Contra isso recorrem agora ao STJ os advogados de Luz, sustentando a competência da Justiça Federal em Minas Gerais para o processamento da causa.
Na ação original, Luz afirma ter provas de ter comunicado ao governo norte-americano, com anos de antecedência, o local onde o ex-Presidente do Iraque Saddam Hussein seria encontrado após a invasão de seu país. Por isso, teria direito à recompensa oferecida pelo Presidente dos EUA, George W. Bush, para quem apontasse informações sobre o paradeiro do ex-líder iraquiano.
"Pela presente, vem o Autor exigir o cumprimento por parte do Réu, da promessa de pagamento de uma recompensa no importe de US$ 25,000,000.00 (vinte e cinco milhões de dólares norte-americanos), por ele prometida a quem informasse ou indicasse o paradeiro do ex-ditador iraquiano, Saddam Hussein", traz a petição inicial da ação de recompensa. Os advogados de Luz sustentam que a oferta é "fato público e notório", já que foi publicada por "toda a imprensa mundial" em 2003.
"E o aqui Autor faz jus a tal recompensa porque, desde o mês de setembro de 2001 vem indicando ao Réu, o local onde Saddam Hussein se esconderia", segue o pedido. Os advogados afirmam ser o autor pessoa dotada de "um dom incomum: tem visões de acontecimentos futuros. É uma pessoa comumente denominada de paranormal. Através de sonhos, ele vê situações, fatos que acontecerão no futuro".

quarta-feira, 5 de outubro de 2005

Patrono dos ladrões

Deixo uma dica p/ os advogados do crime, quando não funcionar o "in dubio pro reu", nada melhor do que uma oração a S. Dismas, patrono do bom ladrão.....

Viva a República!

sexta-feira, 30 de setembro de 2005

O QÂDÎ HONESTO

Por ter roubado mil peças de ouro a um comerciante honesto, foi um ladrão levado à presença do Qâdî, o qual lhe perguntou se tinha a alegar razões impeditivas de lhe cortar o pescoço.
- Creia, Excelência - disse o ladrão - nada pude fazer para evitar o roubo, já que Allâh me fez tal como sou.
- A tua defesa parece-me engenhosa e acertada - replicou o Qâdî - pelo que me vejo forçado a absolver-te. Infelizmente Allâh fez-me de tal feição que tenho de decapitar-te, a não ser - prosseguiu em tom pensativo - que me dês metade desse ouro, pois por desígnio do Altíssimo, sou fraco em face da tentação.
Nessa altura, o ladrão depôs quinhentas moedas de ouro na mão do Qâdî.
- Está bem, disse o Qâdî, assim sendo só te vou cortar metade da cabeça. E para te provar a confiança que tenho na tua descrição deixar-te-ei intacta a metade com que falas.
Fábulas Fantásticas, Ambrose Bierce

quinta-feira, 29 de setembro de 2005

Não incomodem a "Sôtora"


Justiça

Justiça (1986), de Raquel Martins

"Constituições"

Deixo um link de uma base de dados onde podem encontrar as "constituições" dos países de todo o mundo.

O que se diz por aí...

Algo vai mal quando a procura da verdade material se faz nos termos descritos no blog www.solardarainha.blogspot.com, em comentario do Odorico:

Frases verídicas de advogados em Tribunal:

1)- O que aconteceu depois?
- Ele disse que tinha que me matar porque eu podia identificá-lo no tribunal.
- E ele matou-o?

2) - Quem é que morreu na guerra, você ou o seu irmão?

3) - O filho mais jovem... o de 20 anos... que idade é que ele tem?

4) - O que significa a presença de esperma?
- Significa que a relação foi consumada.
- Esperma masculino?

5) - Você tem filhos ou coisa do género?

6) - Vou mostrar a prova 3 e peço-lhe que identifique a foto.
- Este sou eu.
- E você estava presente quando a foto foi tirada?

7) - Você estava presente neste tribunal esta manhã, quando fez o juramento?

8)- Então como acabou o seu casamento?
- Por morte.
- E ele acabou por morte de quem?

9) - Há quanto tempo você está grávida?
- 3 meses no dia 8 de Novembro.
- Então, aparentemente, a data de concepção foi de 8 de Agosto?
- Sim.
- E o que é que você estava a fazer nessa altura?

10) - Quantas vezes a senhora cometeu suicídio?

11) - Ela tinha 3 filhos, certo?
- Certo.
- Quantos meninos?
- Nenhum.
- Tinha alguma menina?

12) - Você não sabe o que era, nem com o que se parecia, mas acha que o consegue descrever?

13) - O Sr. lembra-se aproximadamente a que horas examinou o corpo do Sr. Brown?
- A autópsia começou por volta das 20h30.
- E o Sr. Brown a essa hora já estava morto, certo?
- Não seu estúpido. Estava sentado na mesa a tentar imaginar porque é que eu lhe estava a fazer uma autópsia!

terça-feira, 27 de setembro de 2005

Novas medidas para a reforma do sistema de justiça

As novas medidas de descongestionamento dos tribunais foram anunciadas ontem pelo Ministro da Justiça. Quem for devedor de custas judiciais ou às empresas até ao montante de 400 euros, não irá pagar. No caso das empresas, a proposta avançada pelo Governo para que desistam desses processos é aliciante. Largas centenas de milhares de processos serão retirados assim dos tribunais, com custos, não contabilizados ainda, de muitos milhões de euros..

a) Proposta de lei que prevê a introdução da regra de competência territorial do tribunal da comarca do réu para as acções relativas ao cumprimento de obrigações, a alteração da regra do pagamento de custas de parte e da competência territorial dos solicitadores de execução no âmbito do processo executivo - estará em processo de audições durante um período de três semanas;
b) Proposta de lei que prevê incentivos excepcionais para o descongestionamento das pendências judicias, desistência de acções executivas por dívida de custas e alteração do regime fiscal dos créditos incobráveis para efeitos do Código do Imposto Sobre Valor Acrescentado - estará em processo de audições durante um período de três semanas;
c) Proposta que aprova um novo regime processual especial e experimental - o debate público prolongar-se-á por um período de dois meses.

sábado, 24 de setembro de 2005

"Um sinal de inteligência"

Artigo do Prof. Mário Frota na página da APDC

"A BRISA apostou com veemência na VIA VERDE. No imperscrutável desígnio de alijar a folha de assalariados.

Mas aposta forte na publicidade.

E de tal sorte que enxovalha os cidadãos-consumidores que se confrontam nas suas portagens com uma mensagem publicitária “VIA VERDE – um sinal de inteligência”.

Se a VIA VERDE é um sinal de inteligência, passar pelas cabinas de portagem é o seu inverso.

O Código da Publicidade em vigor(?!) define emblematicamente – sob a epígrafe princípio da licitude – no seu artigo 7º, nº 2, alínea c:

“É proibida, nomeadamente, a publicidade que:
...atente contra a dignidade da pessoa humana”.

Chamar desta forma nada elegante estúpidos aos que recorrem para os seus chorudos lucros e para a manutenção dos postos dos seus trabalhadores e para os vencimentos milionários dos seus administradores, para além de descortês, de reles, de ordinário, é um ilícito de mera ordenação social passível de sanção.

A ACOP – Associação de Consumidores de Portugal – exigirá do Instituto do Consumidor a retirada da publicidade da VIA VERDE e um formal pedido de desculpas da BRISA / VIA VERDE... porque qualquer que seja a sua associação, as cabinas de portagem servem de suporte às mensagens.

E para a PUBLICIDADE, tão ladrão é quem vai à vinha, como quem fica à espreita!

É dos textos. É da lei.

As associações de consumidores gozam, entre outros, direito a corrigir e a responder ao conteúdo de mensagens publicitárias relativas a bens e serviços postos no mercado, bem como a requerer, junto das autoridades competentes, que seja retirada do mercado publicidade enganosa ou abusiva.

Impõe-se que o Instituto do Consumidor aja consequentemente de molde a frear os ímpetos a quem desrespeita de forma tão soez direitos próprios de quem parece tudo aceitar... no afã de viver um amaríssimo dia-a-dia na cinza e baça melancolia lusa.

Que haja quem reaja..."

Proibido sorrir!

Nova regra do Governo Britânico que obriga que as fotos para o passaporte sejam tiradas numa expressão neutra. Não se pode sorrir, torcer o nariz ou franzir as sobrancelhas.... Aparentemente, as expressões de um rosto confundem a recognição biométrica-facial usada para detectar terroristas e identificar criminosos.

quinta-feira, 22 de setembro de 2005

Almoço?

Juntando a foto do último piquenique da associação, convoco todos os "discípulos" p/ almoço no próximo dia 30 de Setembro, pelas 13:00 horas, no Restaurante Antunes.

Law Songs

Porque tenho a mania de gravar colectâneas, agradeço as vossas sugestões para a lista "Law Songs"
Os meus nomeados são:
Clash / Dead Kennedys - "I Fought The Law"
Belle & Sebastian - "Legal Man"
Gomez - "Get Myself Arrested"
Bob Dylan - "Outlaw Blues"
Billy Bragg & Wilco - "Against the Law"
Clash / Eddy Grant - "Police on my back"
Elvis Costello - "I Stand Accused"
Clash / Junior Murvin - "Police & Thieves"
Yo La Tengo - "The Whole of the Law "
Bob Marley - "I shot the sheriff"
The Who - "A Legal Matter"
Elvis / Blues Brothers - "Jailhouse Rock"
Elvis Costello - "Soul for Hire"
Clash - "Bankrobber"
Beck - "Sexx Laws"

terça-feira, 20 de setembro de 2005

Legislando

Fui ontem ver os Edukadores. Estava com saudades do Nun´Álvares e de ver sempre os mesmos arty guys and girls. Desiludi-me com a mensagem. revolucionária.
acredito que devemos intervir. gosto da ideia do"partir esta merda toda", mas só enquanto isso: ideia. liberta. transcende e diverte. e depois voltamos ao normal, ao quotidiano.
O que é realmente difícil é alterar o estado das coisas com as regras que nos dão. é chegar aos corredores do poder e falar e ser ouvido e revolucionar todas as decisões imbecis ou incompetentes ou erradas que são tomadas em nosso nome.
Proponho algo mais do que um jogo. uma listagem de leis a fazer ou a alterar. A Associação Jurídica do Porto tem essa obrigação. Identificar problemas, procurar soluções. Se as regras estão erradas que se mudem as regras.
Os magistrados e os advogados aplicam o direito do legislador. na sua grande maioria, os legisladores são advogados e isto está como está.
Vamos legislar.
- alterar o processo executivo:
1 ) aumentar o número de solicitadores de execução;
2 ) conceder-lhes autonomia geográfica nacional;
3 ) acabar com o requerimento executivo voltando aos moldes da acção executiva anterior;
4 ) aumentar os Tribunais de execução;
5 ) custas a final;
6 ) cruzamento de dados de executados e sua publicação na internet;
7 ) Prazo máximo de 2 meses para a penhora, com direito a indemnização caso não suceda;
Como é possivel termos decisões em sede de processo declarativo que de nada servem porque a execução demora tanto ou mais tempo?
- alterar a lei do apoio judiciário
1 ) permitir livre escolha do patrono;
2 ) não permitir que a ordem dos advogados transforme num monopólio o que é um direito constituicional.
- fiscalizar os honorários e as contas dos escritórios privados com o Estado, com as autarquias e as empresas públicas, assim como os critérios na sua escolha;
- avançar com a promessa da criação de um cartão único de cidadania.
Será sempre discutível - a propósito de sigilos - a abertura de uma base de dados que permita criar um grau de transparência no que respeita a:
1) participação em empresas;
2 ) situação económica no que respeita a falência ou insolvência;
3 ) património e declaração de rendimentos;
mas as vítimas de vigaristas profissionais que abrem uma empresa hoje ( em 24 h como se isso fosse um milagre legislativo ) se calhar agradeciam que as leis que existem fossem realmente aplicadas ou que tivessem efeitos reais ou que tivessem a possibilidade de verificar previamente quem é este senhor com quem negoceiam.
- Transparência no urbanismo. sabiam que um técnico no gabinete de urbanismo da Câmara do Porto tem 600 projectos a seu cargo e que em média estes demoram no mínimo 2 anos a serem aprovados? Que são aprovadas aberrações que depois de impugnadas e de se decidir que devem ir abaixo, nada se faz porque não há dinheiro, como é o caso do cidade do Porto?
E que a recompensa dos criminosos que aceitam que isto aconteça é irem para a GALP a ganhar 3 mil contos mês?
- transparência nas contas públicas. Quanto é que custam os juízos civeis do Porto por mês ao Ministério da Justiça?
legislem... façam portarias.... sugiram...

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

Máxima "portuga" sobre trabalho


A Justiça no seu pior

Os anos judiciais de 2004 e 2005 têm sido, em meu entender, os anos de maior marasmo, ineficiência e descredibilização da Justiça em Portugal desde a reposição da democracia em 1974.
Não falemos dos casos da Casa Pia, nem do Apito Dourado, nem da fuga da Fátima Felgueiras (uma exilada política no seu entender), mas dos casos de todos os dias, aqueles que nós estudamos, trabalhamos e não vemos forma de serem resolvidos.
Em primeiro lugar, o Código do Trabalho que começou a vigorar em 1 de Dezembro de 2003, com a Lei nº 99/2003, de 27/08, e que teve os seus efeitos em 2004 e 2005. Sem querer entrar em questões técnicas, constatou-se, de imediato, um leque de imperfeições e incongruências de difícil resolução no dia-a-dia. Desde logo, a diminuição do alcance do princípio do tratamento mais favorável, os 25 dias de férias para quem não faltar ao trabalho, o aumento das renovações no contrato de trabalho a termo certo (com uma última que pode ir até aos 3 anos), a indemnização em substituição da reintegração, fixando o tribunal o montante entre os 15 e os 45 dias retribuição, o fim dos despedimentos sem justa causa (com o encapotado art. 438º, nº 2, em que o empregador se pode opor à reintegração), o número de horas de formação profissional que nenhuma empresa cumpre, etc, etc.
Em segundo, a alteração do processo executivo e a criação dos solicitadores de execução. Sempre fui contra e não vejo que esta seja a solução possível no nosso país para a cobrança de dívidas, pequenas ou grandes e execução de penhoras.
Começando pelos tribunais. Os Juízos de execução são poucos (mesmo com estes novos em Lisboa e Porto) e não dispõem de funcionários, magistrados e meios técnicos.
Os formulários. São extensos,complicados e dão azo inevitavelmente a confusões no seu preenchimento e à demora na sua execução (quando antigamente resolvíamos a petição, com duas páginas, em 10 mintos).
Os solicitadores de execução. Não quero falar daqueles que já desapareceram do mapa, que se enganam nas contas, que estão a enriquecer ou que estão mal preparados. Quero antes falar dos que se aplicam, mas, no entanto, o tribunal demora meses a enviar-lhe o requerimento executivo, vão fazer a penhora sem protecção e correm riscos de vida, não tendo ao seu dispor todos os meios informativos de forma à boa localização dos bens penhoráveis.
Por últmo, com a chegada do Ministro Alberto Costa esperava-se que se fizesse luz (não é que tivesse muita esperança, dada a incompetência demonstrada no Ministério da Administração Interna, contudo, quem sabe?). A grande medida foi a diminuição das férias judiciais. Ora, louvado seja Deus! Será que é assim que vai ter bons resultados, um aumento de 10 ou 20% de produtividade. Ou será que os funcionários e magistrados (e muito bem) passarão a sair às 17h, acabam os trabalhos de casa (as sentenças), passam todos a ter férias à força em Agosto e nós advogados a ver os prazos a correr no dia 31 de julho e Julgamentos em 1 de setembro, testemunhas a faltar, Tribunais Colectivos sem Juízes e Procuradores, etc, etc.
É por tudo isto que não desisto e não devemos desistir, e desde a primeira hora aderi a esta nova Associação Jurídica do Porto, mesmo correndo o risco de muitos dos associados discordarem das minhas ideias. Contudo, devemos discutir estes assuntos democraticamente e sermos uma força interventiva no meio judicial, a fim de melhorarmos a Justiça em Portugal. Não é uma luta de classes ou de corporações, é a luta pela dignificação das nossas profissões, das nossas vidas e dos cidadãos.
Apelo assim à participação na nossa Associação, pessoalmente ou através do Blog.

Luís Cardoso Rocha

Gato por lebre - versão chinesa


Um restaurante situado no nordeste da China, aproveitando a sua proximidade com a reserva de felinos de Heidaohezi oferecia no seu menú pratos feitos com carne de tigre. Quando a polícia detectou esta venda - ilegal uma vez que o tigre é uma espécie protegida - deteve o dono do estabelecimento que alegou em sua defesa que não se tratava de tigre, mas burro marinado em urina de tigre.

Trata-se de um alívio para a formosa e feroz espécie, mas não para os clientes do restaurante que ainda tem de ter estômago para decidir se formulam reclamações ao abrigo de publicidade enganosa, se é que existe tal coisa no império celeste, pois se o fizerem incriminam-se num delito ecológico. Parece que vão ter mesmo que fazer a digestão com uma "amarguinha"....

sábado, 17 de setembro de 2005

Entrevista ao Bastonário no Jornal de Negócios

Rogério Alves, Bastonário da Ordem dos Advogados, defende que as greves anunciadas pelo Sindicato dos Funcionários Judiciais, Associação Sindical dos Juízes Portugueses e Sindicato dos Magistrados do Ministério Público poderiam ter sido evitadas. Para o Bastonário da Ordem dos Advogados, esta situação fica a dever-se à forma "agreste como o Governo tem apresentado as medidas e empurrado as culpas para os agentes da Justiça"."Quando se legisla no sentido de alterar as regras do jogo e se pede sacrifícios é necessário haver um diálogo aberto, sereno e participado. O mais próximo possível do consenso", adianta Rogério Alves.

Tipicamente português

Num arquipélago maravilhoso e deserto, no meio do nada, naufragaram as seguintes pessoas:

- dois italianos e uma italiana;
- dois franceses e uma francesa;
- dois alemães e uma alemã;
- dois gregos e uma grega;
- dois ingleses e uma inglesa
- dois búlgaros e uma búlgara;
- dois japoneses e uma japonesa;
- dois chineses e uma chinesa;
- dois americanos e uma americana
- dois irlandeses e uma irlandesa;
- dois portugueses e uma portuguesa;
Passado um mês, nestas ilhas absolutamente maravilhosas, no meio do nada, passava-se o seguinte:

- Um italiano matou o outro italiano por causa da italiana;

- Os dois franceses e a francesa vivem felizes juntos num menáge-a-trois;

- Os dois alemães marcaram um horário rigoroso de visitas alternadas à alemã;

- Os dois gregos dormem um com o outro e a grega limpa e cozinha para eles;

- Os dois ingleses aguardam que alguém os apresente a inglesa;

- Os dois búlgaros olharam longamente para o oceano, depois olharam longamente para a búlgara e começaram a nadar;

- Os dois japoneses enviaram um fax para Tóquio e aguardam instruções;

- Os dois chineses abriram uma loja/bar/restaurante/lavandaria, e engravidaram a chinesa para lhes fornecer empregados para a loja;

- Os dois americanos estão a equacionar as vantagens do suicídio, porque a americana só se queixa do seu corpo, da verdadeira natureza do feminismo, de como ela e capaz de fazer tudo o que eles fazem, da necessidade de realização, da divisão de tarefas domésticas, das palmeiras e da areia que a fazem parecer gorda, de como o seu ultimo namorado respeitava a opinião dela e a tratava melhor do que eles, como a sua relação com a mãe tinha melhorado e de que, pelo menos, os impostos baixaram e também não chove...

- Os dois irlandeses dividiram a ilha em Norte e Sul e abriram uma destilaria. Eles não se lembram se sexo está no programa por ficar tudo um bocado embaciado depois de alguns litros de whisky de coco. Mas estão satisfeitos porque, pelo menos, os ingleses não se estão a divertir...

- Quanto aos dois portugueses, mais a portuguesa que também se encontravam na ilha, até agora não se passou nada. Os dois portugueses resolveram constituir uma comissão encarregada de decidir qual dos dois homens seria autorizado a requerer por escrito o estabelecimento de contactos íntimos com a mulher. Acontece que a comissão já vai na 17ª reunião e até agora ainda
nada se decidiu, até porque falta ainda aprovar as actas das 5 últimas reuniões, sem o que o processo não poderá andar para a frente.
Vale ainda a pena referir que, de todas as reuniões, 3 foram dedicadas a eleger o presidente da comissão e respectivo assessor, 4 ficaram sem efeito dado ter-se chegado a conclusão que tinham sido violados alguns princípios de procedimento administrativo, 8 foram dedicadas a discutir e elaborar o regulamento de funcionamento da comissão e 2 foram dedicadas a aprovar esse mesmo regulamento. É ainda notável que muitas das reuniões não puderam ser realizadas ou concluídas, já que duas não continuaram por falta de quorum, uma ficou a meio em sinal de protesto por não elevação de Canas de Senhorim a concelho e cinco coincidiram com feriados ou dias de ponte.