segunda-feira, 22 de maio de 2006

Festival "A JUSTIÇA NO CINEMA" - 4º filme

Depois da lotação esgotada da 3º sessão (Mar Adentro), a cujo debate assistiram cerca de 150 pessoas, na próxima quinta feira dia 25.05.06, pelas 19h30m., na Sala Bebé do Cinema Batalha, no Porto, a Associação Jurídica do Porto irá realizar a terceira sessão do seu ciclo de cinema jurídico com a projecção do filme O Jurí (2003) de Gary Fleder, com Dustin Hoffman, Gene Hackman, John Cusack, Rachel Weisz e Jennifer Beals no elenco.

Este filme é baseado num romance do célebre autor de policiais forenses John Grisham (1997) e relata a tentativa de condenação numa indemnização milionária de uma empresa de venda de armas, pela viúva de um jovem correcto que foi morto por uma das armas comercializadas pela mesma. Nesse processo é contratado o advogado Wendell Fohr (Dustin Hoffman). Todavia a parte contrária, com imensos recursos económicos contrata um especialista na selecção, escolha e manipulação de membros do jurí, Rankin Fitch (Gene Hackman), que sempre garantiu a vitória em casos semelhantes. Porém o que nenhuma das partes poderia prever é que um dos membros desse júri tem planos próprios e autónomos para condicionar a decisão final do pleito.

A projecção iniciar-se-à às 19H e 40 minutos. Cerca das 21.45 estará ao dispor de quem desejar um buffet pelo preço de 6 euros + bebidas a liquidar directamente ao restaurante. Cerca das 22 e 30 m, iniciar-se-à um debate com a presença de :

Cristina Queirós (Professora da Faculdade de Psicologia da U.Porto, investigadora da escola de criminologia da U.P e especialista na área da psicologia do testemunho);

Cristina Xavier da Fonseca (Juiz de Direito);

Teixeira Lopes (Sociólogo, professor e investigador do Centro de Estudos Sociais);

José Carlos Oliveira (cinéfilo);

Os oradores irão debater o filme sob a óptica específica de cada um dos seus particulares campos de saber, por forma a ser obtida uma visão global, do mesmo objecto. Essas intervenções serão posteriormente divulgadas no livro, sendo que o mesmo poderá incluir artigos elaborados por qualquer participante do debate, mediante opção posterior da AJP.

A intervenção do tribunal de júri; a sua utilização no sistema nacional; o principio da culpa; a relação entre psicologia, sociologia e o direito; a expressão das emoções; a falibilidade dos mecanismos de detecção da mentira; a questão da responsabilidade nas actividades de risco; a indemnização por danos punitivos no sistema americano; a falibilidade dos julgamentos baseados em emoções e prova testemunhal, são algumas das questões que este filme nos permitirá discutir de forma ampla, aberta e (esperamos) acesa.

Site oficial do filme: http://www.runawayjurymovie.com/

PJ dá guerra à corrupção


"O combate ao banditismo e à criminalidade económica são as prioridades da Directoria do Porto da Polícia Judiciária, num novo organograma que entrou esta semana em vigor. Há mais brigadas e mais inspectores para combater os crimes que mais têm aumentado, como são os casos dos roubos e da corrupção.

Vítor Guimarães, director da PJ do Porto, diz que a especialização de inspectores em certo tipo de crimes é uma aposta da Directoria, cuja reorganização “vem corresponder ao acréscimo desses crimes que afectam a nossa área de intervenção”.
Em declarações ao Correio da Manhã, o magistrado do Ministério Público que está agora em comissão de serviço na Polícia Judiciária do Porto, referiu que “com as mudanças operadas, deslocaram-se inspectores, de umas secções para outras, onde nos parecia que faziam mais falta”, no combate ao banditismo e ao crime económico."


Fonte: Correio da Manhã

Novo blogue jurídico

Saúda-se a criação do novo blogue e-direito, sobre Direito de Internet e das novas teconologias, recomendando a sua consulta.

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Pinto Nogueira eleito PGD do Porto

"Alberto Pinto Nogueira foi eleito ontem procurador geral distrital do Porto, em reunião do Conselho Superior do Ministério Público (MP). Com nove votos num universo de 19 votantes, o procurador-geral adjunto mais antigo no MP junto da Relação do Porto sucede a Alípio Ribeiro, que tomou posse como director da PJ.

A eleição de Pinto Nogueira como líder do MP no distrito judicial do Porto surge totalmente em contraciclo com as diligências do procurador-geral da República, Souto Moura, que propôs como candidatos os magistrados Maia Neto, Gonçalo Senra e Gil Almeida. Na reunião do Conselho Superior do MP do passado dia 3 viria também a ser proposto João Ferreira Pinto, também procurador-geral adjunto na Relação do Porto. Só que, entretanto, Maximiano Rodrigues e Fraústo da Silva, membros que representam o ministro da Justiça e a Assembleia da República, apresentaram Pinto Nogueira como candidato surpresa. Feita a eleição, o vencedor recebeu nove votos, enquanto em Maia Neto votaram seis, Gil Almeida três e um em Ferreira Pinto.

Pinto Nogueira, 59 anos, fez parte da Autoridade contra a Corrupção e chegou, numa primeira fase, a ser o coordenador do processo Apito Dourado. Com intervenções polémicas no âmbito da magistratura, foi alvo de averiguações por parte do próprio Conselho Superior do MP, antes de assumir a coordenação do inquérito, devido a uma entrevista ao JN, em Junho de 2004, sobre os efeitos da instabilidade directiva na PJ no Apito Dourado."

Por Nuno Miguel Maia, in Jornal de Notícias

quarta-feira, 17 de maio de 2006

Em busca da produtividade judicial

Resolvi publicar aqui um pequeno comentário relativo a um dos problemas fundamentais do nosso, e de qualquer sistema judicial, que é precisamente o de definir e quantificar a produtividade judicial. Apesar de essa produtividade afectar de forma directa a valoração dos magistrados, depende de todos os intervenientes no sistema e diz respeito às questões essenciais do mesmo. O que é a qualidade do sistema judicial? Quais são parâmetros que a definem e que a permitem quantificar e comparar?
Esta discussão poderá interessar e quanto a mim é fundamental para todos os associados e juristas em geral.
Segundo a análise económica do direito a produtividade é o "produto do trabalho do juiz é a resolução de um conflito de forma eficiente, isto é, maximizando o benefício social (nomeadamente internalizar as externalidades e reduzir assimetrias de informação) e minimizando o custo social (custos de, e não da como se vê escrito muitas vezes, transacção)" (Nuno Garoupa in http://reformadajustica.blogspot.com/).
Talvez seja útil relembrar que quando Bentham criticou as reformas legislativas Escocesas do séc. XIX , definiu o processo civil nos seguintes termos: "To supply justice to all at least expense".
Neste prisma, funcionalista, a produtividade, em termos gerais, consiste na capacidade de efectuar determinadas tarefas com a mínima utilização de meios materiais e humanos, e por isso , de forma puramente eficaz.
No caso do aparelho judiciário a produtividade mais não é do que a capacidade de fornecer o acesso ao bem justiça. Contudo essa produtividade não pode ser equiparada, de forma formal e absurda, a uma simples soma quantitativa do número de despachos e sentenças elaborados, sem curar de analisar o seu conteúdo intrínseco e a sua aptidão para a solucionar de forma efectiva, ajustada, adequada e socialmente fundada o litígio concreto. O "novo" paradigma de eficácia judicial não pretende, pois, por em causa uma efectiva busca de rigor e qualidade na decisão, porque a rapidez ou o número não são o único valor a alcançar.
Pelo contrário, a busca da eficácia terá sempre que integrar uma dimensão qualitativa de adequação às normas do sistema e às especificidades do caso concreto.
A ponderação e o decurso do tempo são necessários à reflexão, análise e decisões judiciárias. Como afirma, Pessoa Vaz (Processo Civil/195) "para um magistrado poder ser bom e eficiente no exercício da sua (…) missão (…), é indispensável que se lhe dê tempo e condições materiais, espirituais e humanas para estudar conscientemente os seus processos não o esmagando com uma tal avalanche de serviço que lhe quebrante o ânimo (…) acabando por criar um dramático sentimento não só de desencanto mas até de frustração e de angústia".
Nestes termos, os critérios de aumento de eficácia do trabalho judicial estão necessariamente ligados à obtenção do resultado ao menor custo possível sem lesar direitos fundamentais das partes. Esses critérios deveriam envolver, por isso, uma ponderação qualitativa e quantitativa de uma relação complexa entre o tempo, meios, resultados, volume e dificuldade de serviço a que cada tribunal está sujeito e o resultado da sua actividade, de tal modo, que um juiz será, mais ou menos, produtivo na medida em que consiga obter, no menor espaço de tempo, e com a menor utilização de recursos financeiros humanos e processuais uma decisão "justa/eficaz/ou substancialmente adequada" das questões que lhe são suscitadas.
Sob o prisma processual são apontados genericamente, por múltiplos autores, três critérios fundamentais para qualificar uma decisão como "justa":
1. Acerto na escolha da norma aplicada ao caso e respectiva interpretação;
2. Adequação e aquisição processual atendível dos factos relevantes à decisão do caso concreto;
3. Utilização de um procedimento válido e justo para produzir essa decisão.
Parece-me útil acrescentar ainda um quarto critério: que o procedimento cumpra "o prazo razoável" a que alude o art. 6º, da C.E.D.H..
Teremos assim de efectuar um difícil equilíbrio entre fins e critérios quantitativos, próprios da análise económica do direito, que terão de ceder ou ser integrados face à obtenção da qualidade imprescindível ao funcionamento do aparelho judicial, porque, parafraseando Sólon, tudo está em encontrar, também aqui, "a justa medida das coisas".

(este post constituiu apenas uma opinião pessoal do subscrito)

terça-feira, 16 de maio de 2006

Festival "A JUSTIÇA NO CINEMA" - 3º filme

Na próxima quinta-feira dia 18.05.06, pelas 19h30m., na Sala Bébé do Cinema Batalha, no Porto, a Associação Jurídica do Porto irá realizar a terceira sessão do seu ciclo de cinema jurídico com a projecção do filme Mar Adentro de Alejandro Amenábar com: Javier Barden, Bélen Rueda, Clara Segura, Mabel Ribera de 2004.

Este filme, baseado em factos reais, relata a vida de Ramón Sampedro na sua luta para ter o direito de pôr fim à sua própria vida. Na juventude ele sofreu um acidente, que o deixou tetraplégico e preso a uma cama durante 28 anos. Lúcido, atraente e extremamente inteligente, Ramón decide lutar judicialmente pelo direito de decidir sobre sua própria vida, o que lhe gera problemas com a igreja, a sociedade e até mesmo com os seus familiares.

A projecção iniciar-se-à às 19H e 40 minutos. No final do filme estará ao dispor de quem desejar um pequeno buffet por preço a determinar.

Depois da projecção, cerca das 22.30 horas, iniciar-se-à um debate com a presença de :

Prof. Dr. Daniel Serrão (Professor de Bioética e Ética Médica da Universidade do Porto, Portugal e presidente do Working Party on The Protection of the Human Embryo and Foetus);

Dra. Laurinda Alves (jornalista e escritora);

Bento Amaral (enólogo e que irá partilhar a sua experiência pessoal e particular relativa à problemática do filme);

Lauro António (cineasta);

Padre Vasco (companhia de jesus)

Os oradores irão debater o filme sob a óptica específica de cada um dos seus particulares campos de saber, por forma a ser obtida uma visão multidisciplinar do mesmo objecto. Essas intervenções serão posteriormente divulgadas num livro a editar na colecção da AJP, publicado pela Coimbra Editora.

A questão da eutanásia; os limites à intervenção da sociedade e do sistema judicial face a decisões de consciência, a actualização e renovação do princípio da auto-determinação e da dignidade humana; a liberdade de disposição do seu próprio corpo e seus limites constitucionais e éticos são algumas questões que serão debatidas. A liberdade do homem perante a sua própria morte enquanto liberdade da vida é no, fundo, a grande questão que este filme acende, apontando caminhos, esvaziando certezas e ajudando a problematizar algo grave e complexo que por isso merece ser social e abertamente debatido.

Mais se informa que os bilhetes se encontram à venda no local, sendo:

- Geral = 3 euros

- Associados da AJP e do Cineclube do Porto e estudantes = 2 euros

Para qualquer esclarecimento adicional p.f. contacte: Tel. 220 159 476

Contamos com a sua presença.

A Direcção da AJP

Site oficial do filme: : http://www.theseainside.com/

segunda-feira, 15 de maio de 2006

Dia do Advogado - Porto - 19 de Maio


> PROGRAMA

10:00
> Missa de sufrágio em memória dos Advogados falecidos > Igreja da Lapa

15:00
> Sessão do Conselho Geral aberta a todos os Colegas > Cadeia da Relação > [Cadeia da Relação do Porto - Campo Mártires da Pátria * 4050-368 Porto]

18:00
> Sessão Solene de Comemoração do Dia do Advogado > Cadeia da Relação > Atribuição de Medalhas aos Advogados que completam 50 Anos de Exercício da Advocacia [CONHEÇA A LISTA DE HOMENAGEADOS]

20:30
> Jantar Concerto > Alfândega do Porto (25 Euros - sujeito a inscrição) > [Alfândega do Porto - R. Nova da Alfândega * 4050-430 Porto]

>> FICHA DE INSCRIÇÃO >> Por favor confirme a sua presença pelo Tel. 22 207 45 73, Fax. 22 207 45 79 ou Email. cdporto@cdp.oa.pt

>> ORGANIZAÇÃO > Conselho Geral e Conselho Distrital do Porto da Ordem dos Advogados

LEI POP

LEI POP_RICARDO SALAZAR
APRESENTAÇÃO
DIA 17 QUA 18H00 Fnac Santa Catarina

Conversas a dois sobre um objecto da cultura Pop – livro, disco, filme.
Em cada sessão, Ricardo Salazar, advogado e um convidado irão “desconstruir” objectos da cultura pop através de uma análise cruzada sobre a importância e influências sociológica, histórica, artística e jurídica.
Para o primeiro encontro, dia 17 de Maio, pelas 18 h 00 na Fnac de Santa Catarina, Porto, convidamos Álvaro Costa para uma conversa sobre o “Álbum Branco” dos Beatles ( 1968 - E.M.I. / Capitol ) .

sexta-feira, 12 de maio de 2006

CONFERÊNCIA

A DESFORMALIZAÇÃO, ELIMINAÇÃO E SIMPLIFICAÇÃO DE ACTOS E PROCESSOS NOS REGISTOS E NOTARIADO E O NOVO MODELO DE GOVERNO DAS SOCIEDADES

20 de Junho de 2006
Programa:

Justiça com iniciativa – ao serviço da competitividade e do investimento
Mestre João Tiago da Silveira - Secretário de Estado da Justiça

Consequências práticas do fim da obrigatoriedade da celebração de escritura pública nos actos societários
Dr. Luís Goes Pinheiro - Adjunto do Secretário de Estado da Justiça

O novo regime da fusão, cisão e transformação de sociedades comerciais
Dra. Patrícia Melo Gomes - Advogada da MORAIS LEITÃO, GALVÃO TELES, SOARES DA SILVA & ASSOCIADOS, Sociedade de Advogados, R.L

Linhas gerais do novo regime sobre governo das sociedades e reabilitação do modelo clássico
Mestre Paulo Câmara - Director da CMVM e Assistente da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa

O novo regime do registo de quotas e partes sociais
Dra. Filomena Gaspar Rosa - Conservadora

Dissolução e liquidação de sociedades comerciais
Dr. João Moucheira - Conservador

Alterações ao Código do Registo Comercial: a perspectiva do utente
Dra. Cláudia Crispim dos Santos - Conservadora

Autenticação de documentos e reconhecimento de assinaturas
Dra. Olga Barreto - Notária

Encerramento
Mestre Carlos Costa Pina - Secretário de Estado do Tesouro e Finanças

Local: Auditório Bastonário Ângelo de Almeida Ribeiro, Rua dos Anjos, 79/A - c/v

Dia/Hora: 20 de Junho - 10h00 às 13h00 - 14h30 às 18h00

Preços:
- 110 euros - Magistrados, Advogados, Conservadores, Notários, Solicitadores, Juristas
- 60 euros - Advogados Estagiários e Solicitadores Estagiários

Pedidos de informação e pré-inscrição para:
Grupo Editorial Vida Económica (Drª Cláudia Figueiredo)
Telf. 223 399 468 - Fax: 222 058 098 • endereço electrónico: ti@vidaeconomica.pt
www.vidaeconomica.pt/livraria

APOIOS
Ministério das Finanças e da Administração Pública
Ministério da Justiça
Vida Económica
Ordem dos Advogados
Associação Jurídica do Porto

ORGANIZAÇÃO
Vida Judiciária

AFINSA e FÓRUM FILATÉLICO

Portugueses arriscam perder o dinheiro todo

"Os clientes portugueses da Afinsa e do Fórum Filatélico correm neste momento o sério risco de perderem todo o dinheiro aplicado. Isto se for concretizada, em Espanha, a declaração de falência das duas empresas, tal como anuncia o Ministério Público espanhol. Enquanto o Fórum privilegia o silêncio público, a Afinsa rebate as acusações, assegurando ter perto de três mil milhões de euros para pagar a todos os investidores.

O problema que pode levar à falência é o facto de, pelo menos no caso da Afinsa, as quotas da empresa serem totalmente detidas pela empresa espanhola, ou sociedades do grupo, o que significa que, a ser decretada a falência da casa-mãe, também respondem os bens da representação em Portugal.

Os contratos feitos com clientes portugueses, pela empresa portuguesa, são afinal efectuados com a sociedade espanhola, pelo que os escritórios em Portugal são, apenas, intermediários. Chama-se a isto, de acordo com especialistas, actuar como "agente comercial".

"No processo de falência em Espanha responde todo o património das empresas. E desse património fazem parte as quotas detidas em sociedades estrangeiras. Logo, também podem fazer parte dos bens a vender no âmbito do processo, para satisfazer as dívidas dos credores", explica ao JN Albano Loureiro, jurista que trabalha na área das falências, em Espanha e Portugal. "Sendo assim, as empresas portuguesas podem ir também à falência sem que tenham culpa alguma", acrescenta.

Sobre o caso, o fiscalista e Saldanha Sanches diz ao JN que "tem de ser decretada falência rapidamente em Portugal" para os credores não saírem frustrados. "O património não pode estar por aí à solta", reforça o professor , sublinhando que, neste caso, o Ministério Público "tem de actuar".

Afinsa tenta acalmar

Para tentar serenar os ânimos, a Afinsa espanhola emitiu ontem à noite um comunicado em que garante ter liquidez para pagar aos seus clientes. A empresa acusada pelas autoridades espanholas por burla, falsificação de documentos e gestão danosa assegura que possui cinco milhões de selos no valor superior a "dois mil milhões de euros" e que o seu "património de tesouraria equivale a "930 milhões de euros", pelo que poderá devolver o dinheiro aos investidores.

Embora admitindo que o alarme provocado pela investigação originou alterações no mercado, a empresa frisa que a avaliação dos valores é efectuada por "catálogos filatélicos de reconhecido prestígio".


Pagamento "está fora do alcance" da Afinsa portuguesa

A directora da Afinsa em Portugal, Maria do Carmo Lencastre, não confirmou a acusação da Brigada Anticorrupção espanhola de que a empresa está na falência. Maria do Carmo Lencastre explicou ao JN que a informação "não está provada", faz apenas parte da acusação e resulta do levantamento do segredo de justiça, adiantou. A directora da Afinsa garantiu, de novo, que a empresa tem "capacidade de responder pelos seus compromissos", mas explicou que o pagamento aos investidores é uma "decisão que está fora do alcance" dos escritórios portugueses, pelo facto de as contas estarem congeladas no país vizinho e os contratos realizados em Portugal serem estabelecidos com a Afinsa Espanha. A empresa adiantou que não tem qualquer fundo de garantia para ser accionado no caso de falência, uma vez que neste tipo de actividade a lei (portuguesa e espanhola) não obriga à sua existência. O Fórum Filatélico em Portugal, até ao fecho da edição, não respondeu às questões colocadas pelo JN. APL

O Ministério Público espanhol diz que Afinsa e Fórum são insolventes. O que significa isto?

Não significa a declaração imediata de falência. Significa apenas que, pelas contas da investigação criminal, a contabilidade do passivo é, em muito, superior ao activo. A declaração de falência só pode ser efectuada após um processo num tribunal de comércio, com a participação de todos os credores das empresas.

Que bens estão em causa no eventual processo de falência em Espanha?

Estão em causa os bens pertencentes às empresas propriamente ditas. Do património das duas empresas fazem parte as filiais portuguesas. O que significa que o dinheiro aplicado pelos investidores portugueses, e respectivos valores em selos, obras de arte ou antiguidades, também fazem parte da designada massa falida - a ser vendida para cobrir, no que ainda for possível, as dívidas perante os credores.

O que podem fazer os investidores portugueses para recuperar créditos? Se as empresas acabarem por não pagar aos seus clientes, como estão a fazer crer as autoridades espanholas, os investidores podem constituir-se como credores junto do processo de falência em Espanha ou instaurar um processo autónomo de falência em Portugal. Só podem recorrer a esta via, uma vez que a actividade de Afinsa e Fórum não está coberta por qualquer fundo de garantia.

O dinheiro investido pode ser recuperado sob a forma de selos?

Sim, se as empresas ainda detiverem, fisicamente, os lotes de selos alegadamente adquiridos pelos clientes. Porém, as autoridades espanholas dizem que, na esmagadora maioria dos casos, os valores nem sequer existem."
Nuno Miguel Maia
Fonte: JN

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Crónica de Pedro Mexia in Grande Reportagem, 06/03/2004

Recebido por email:

TORTO

"Uma amiga de longa data pediu-me que lhe corrigisse as vírgulas na tese de doutoramento. Com certeza que sim. Atirei-me, pois, às vírgulas. Mas confesso que não estava preparado. É que a tese - não sei como dizer isto debruça-se sobre a problemática da cessão dos créditos. Confortavelmente esticado na minha caminha, de lápis na mão, dei por mim teletransportado ou, se preferirem, transplantado para a década de noventa do século passado.
Essa tarde recordou-me outras tardes, árduas e infindáveis, há 12 ou 13 anos. Era, nessa época, aluno do curso de Direito. Saquei o canudo em 1995. E, depois disso, tenho mantido o silêncio. Mas agora, passado o período de nojo, aproveito para deixar aos meus leitores dois ou três avisos sobre o dito curso.
Pois bem: trata-se da mais inconcebível, árida, macilenta e desprezível das criações humanas. Reparem que nem sequer me refiro ao Direito propriamente dito: sobre essa matéria a conivência dos juristas com tiranias sortidas e as obras completas do Kafka chegam e sobram. Quero agora evocar apenas o curso, aqules cinco penosos anos de colónia penal. Convém aliás explicar que o curso de Direito tem cinco anos não por exigências curriculares mas como forma de homenagem aos planos quinquenais soviéticos. A lógica de opressão, de dirigismo e de extermínio é a mesmíssima.
Não vou agora aqui sumariar a minha experiência estudantil, a qual, aliás, foi aprazível a princípio e se tornou depois indiferente. Mas recordo-me bem do momento de viragem. Em pleno terceiro ano, o meu descontentamento veio ao de cima violentamente, como um almoço mal digerido. Estava numa aula de Direitos Reais. Estava aborrecido. Estava com sono. Escrevinhava coisas num caderno. E em cima do estrado, o monocórdico mestre dissertava sobre a «servidão de estilicídio». Eu explico: trata-se de garantir o escoamento das águas quando um prédio vizinho não está a mais de cinco decímetros do outro.
A minha vaga insatisfação com o curso tornou-se, nesse segundo, algo de muito mais agudo, como uma úlcera que rebenta. Eu não sabia o que queria fazer da minha vida; mas não era certamente estudar o escoamento de águas e a distância entre os prédios. Que se lixasse o estilicídio. Eu queria distância era do curso. Porque essa era a nossa faina. Engolíamos, como óleo de rícino, noções assim intragáveis durante dez infindáveis semestres. Não apenas a acção de despejo, o IRS ou a recorribilidade do acto administrativo, assuntos minimamente perceptíveis, mas muitas e muitas bizarrias. A Constituição da Costa Rica. O inadimplemento culposo. A impugnação pauliana. A venda a retro. A ineptidão da petição inicial. As prescrições presuntivas. A substituição quase-pupilar. O fideicomisso. O anatocismo. A enfiteuse. Os vícios redibitórios. Os impedimentos dirimentes relativos. O contrato sinalagmático. O registo das sociedades em comandita. O benefício da excussão. E, claro, a cessão de créditos. É preciso ter um interesse desmesurado acerca das regras que regulam uma sociedade, em todos os seus nauseabundos detalhes, para estudar estas salgalhadas. E para aguentar os infindáveis casos entre o "senhor A" e o "senhor B", que vendiam um ao outro casas, se processavam, pediam licenças de uso e porte de arma, deixavam violas de gamba em usufruto, e por aí em diante. Por vezes iam mais longe: o usufruto era em Amesterdão, a arma de Poiares da Beira, o processo na Califórnia e a casa nas Comores. Quid juris?, perguntavam, sacanas, os lentes. Não sabíamos nem queríamos saber. Por esta altura, todos nós queríamos mais era que o senhor A e o senhor B se quilhassem.
Manhãs e tardes a fio assisti a isto. Noites e noites a fio estudei isto. Vou ter olheiras para sempre por causa disto. Arruinei a minha caligrafia por causa disto. Sofri horrores de nervos e bexiga por causa disto.Aguentei o prof. Soares Martinez por causa disto. Comprei e sublinhei de capa a capa catrapácios de setecentas páginas sobre a pensão de alimentos por causa disto. Por isso vos digo, ó finalistas do liceu: não se metam nisso. Parafraseando Jaques Séguéla, diria que há actividades bem mais decentes. Como pianista num bordel."

quarta-feira, 10 de maio de 2006

O Direito vai sair à rua

Um grupo de Juristas que se reúne diariamente no Fórum Jurídico FORLEGIS, arrancou com mais uma iniciativa inédita de trazer o Direito para a rua.

Do que se trata?
O Dr. Pedro Guilherme-Moreira, no seu PORTOLEGAL.COM, explica como ninguém os objectivos e dá a conhecer os testemunhos vividos com a experiência do ano passado.

O Direito vai sair à rua neste mês de Maio!
Basta que os Colegas abram a porta da sua imensa generosidade, com um pouco de disponibilidade.

JORNADAS EUROPEIAS DO NOTARIADO

O Notariado do Séc. XXI – Desafios da Modernidade

11 Maio 2006 - Pavilhão de Portugal, Parque das Nações
Programa
9h30 Sessão de Abertura

Presidida pelo Ministro da Justiça, Dr. Alberto Costa

10h00 Branqueamento de Capitais
Dr. António Vitorino. Ex-Comissário Europeu da Justiça
10h20 A intervenção do Notário na luta contra o Branqueamento de Capitais e a Fraude Fiscal
Me. Jacques Delvaux. Presidente da Conferência dos Notariados da União Europeia - CNUE
10h40 A mais valia da actividade notarial na Nova Europa
D. Juan Bolás Alfonso. Notário. Ex-Presidente do Consejo General del Notariado.
11h00 Pausa para café
11h15 “A intervenção do Notário é uma vantagem para o cidadão e para as empresas”
Prof. Christian Helmenstein. Economista, Institute for Advanced Studies (IHS), Viena. Licenciado em Economia e Gestão pela Universidade de Colónia. Doutorado pela Ruhr-University Bochum
11h35 Controlo da Legalidade e Segurança Jurídica
- Me. Paolo Piccoli. Presidente do Consiglio Nazionale del Notariato
- Me. Roberto Barone. Notário em Itália e Conselheiro Nacional para as Relações Internacionais
12h05 O papel das Novas Tecnologias na Autenticação
Me. Bernard Reynis. Vice-presidente do Conseil Supérieur du Notariat
13h00 Almoço
15h00 O Notariado Português numa Sociedade Moderna. Serviço Público, Controlo da Legalidade e utilização das Novas Tecnologias.
D. Francisco Javier García Más. Representante da Direcção Geral dos Registos e do Notariado do Ministério da Justiça de Espanha.
15h20 O papel do Notário na prevenção da criminalidade
Dr. António Ventinhas. Representante do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público
15h40 As Novas Tecnologias – Assinatura Digital
- Dr. Pedro Dias. Advogado, Uría Menéndez
- Dr. Luís Cabrita. Presidente da Prológica
16h10 A intervenção do Notário como uma mais valia no combate à Fraude e à Evasão Fiscal
Dra. Maria Angelina Silva. Subdirectora Geral da DGCI, Área dos Impostos sobre o Património
16h30 Pausa para café
16h40 A importância do Documento Autêntico na transmissão e constituição dos Direitos Reais. Controlo da Legalidade.
- Mestre Mónica Jardim. Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra
- Prof. Doutor José González. Faculdade de Direito da Universidade Lusíada
17h10 Sessão de Encerramento
Dr. Joaquim Barata Lopes. Bastonário da Ordem dos Notários

As Jornadas Europeias do Notariado são abertas ao público, pelo aqui fica o convite a todos os interessados.

terça-feira, 9 de maio de 2006

Futuros magistrados sem o curso de Direito....!!!


"O curso de Direito vai deixar de ser critério obrigatório para o acesso à magistratura. A licenciatura-base dos futuros juízes e procuradores do Ministério Público poderá ser noutras áreas do saber, desde a Economia à Sociologia.

A ideia é "criar as melhores condições para que haja uma magistratura enriquecida e dotada de todas as competências para enfrentar a variedade dos problemas que se colocam na actualidade". Palavras do ministro da Justiça ontem no final da sessão de abertura de um seminário internacional realizado pelo Centro de Estudos Judiciários (CEJ). Este evento, esclareceu Alberto Costa, marca o "início do processo de debate público sobre a reforma do acesso às magistraturas". O Governo quer as alterações concluídas ainda este ano.

O seminário discutirá esta e outras questões durante dois dias, por iniciativa do CEJ, tendo o contributo dos conselhos superiores da Magistratura, do Ministério Público e da Ordem dos Advogados.

"A nossa ideia é favorecer tanto o acesso de pessoas com requisitos académicos que os qualifiquem para essas funções como também aqueles que, além dos requisitos académicos necessários, possuem experiências profissionais meritórias que as tornem valores que possam vir a enriquecer as magistraturas", observou Alberto Costa.

À semelhança do que acontece noutros países europeus, o ministro defendeu que não é de excluir à partida "outras competências" e profissões que "são muitas vezes incorporadas no próprio exercício da actividade da magistratura".

Questionado pelo DN sobre quais as licenciaturas que poderão dar acesso ao CEJ, Alberto Costa disse "que só no final do debate público serão definidos com precisão os objectivos da referida reforma".

Abertura do CEJ a outros domínios do saber, como a psicologia, a sociologia, a economia, a gestão, a informática, tem vindo a ser defendida pela actual directora, Anabela Rodrigues, a primeira responsável não magistrada a assumir aquele cargo - por proposta do anterior ministro da Justiça Aguiar Branco. A sua nomeação causou alguma polémica, nomeadamente com a subsequente demissão de vário formadores.Ontem, Anabela Rodrigues voltou a referir-se a "uma nova formação orientada pelo princípio do conhecimento multidisciplinar", que envolva "pessoas de diversas formações académicas". Aquela professora catedrática tem vindo a defender uma profunda e radical alteração da lei do CEJ, frisando que "o actual quadro legal é desadequado e desajustado às exigências, do ponto de vista quer da formação quer orgânico e funcional".
Trata-se de um tema recorrente. A antiga ministra da Justiça, Celeste Cardona, teve, inclusive, pronto um projecto de lei que acabou na gaveta. Alberto Costa reabriu um debate polémico."
Fonte: DN Online

Comentário: Não será notícia de 1º de Abril atrasada?!?

Festival "A JUSTIÇA NO CINEMA"

Divulgação: Match Point

«Na próxima Quinta Feira dia 11.05.06, pelas 19h30m., na sala bebé do cinema batalha, no Porto, a Associação jurídica do Porto irá realizar a segunda sessão do seu ciclo de cinema jurídico com a projecção do filme Match Point de Woody Allen, com: Scarlett Johansson , Jonathan Rhys-Meyers, Emily Mortimer, de 2005.
Este filme é baseado no romance crime e castigo de Dostoievzki, transposto para a sociedade contemporânea. Chris é um jovem professor de ténis que sonha pertencer à alta sociedade britânica. Sonho esse que começa a tomar forma quando um dos seus alunos, Tom, o apresenta à família, aos pais e à irmã, que ficam fascinados com o seu gosto pela ópera e pelas artes. Mas Chris pode cair em tentação com a bela namorada também plebeia de Tom, uma americana aspirante a actriz que transpira sensualidade. Entre as duas mulheres, a bela Scarlett Johansson e a "rica" Emily, Chris terá de optar pelo caminho da sua vida, recorrendo a medidas extremas para não perder tudo o que construiu.
A projecção iniciar-se-à às 19H e 40 minutos.
No intervalo ou final do filme estará ao dispor de quem desejar um pequeno buffet por preço a determinar.
Depois da projecção, cerca das 22.15 horas, iniciar-se-à um debate com a presença de :

Paula Faria (Prof. de Direito Penal da Universidade Católica, escola do Porto);
Roma Torres (psiquiatra e cinéfilo),
Almeida Pereira (procurador da república, especialista na investigação de crimes violentos);
Gil Carvalho (inspector chefe da PJ, coordenador de investigação de crimes violentos),
Jorge Velhote (escritor e cinéfilo).
Os oradores irão debater o filme sob a óptica específica de cada um dos seus particulares campos de saber, por forma a ser obtida uma visão multidisciplinar e global, do mesmo objecto. Essas intervenções serão posteriormente divulgadas num livro a editar na colecção da AJP, publicado pela Coimbra Editora.
A questão do princípio da culpa, a punição e ressocialização de um delinquente de "colarinho branco"; as formas de punição dos crimes violentos; as dificuldades de investigação criminal; o papel da sorte e do acaso nas vicissitudes da vida; a estrutura psicológica de um delinquente ambicioso e amoral; as motivações conscientes ou inconscientes destes actos; são questões que podem ser levantadas a propósito deste magnífico filme de Woody Allen, analisado com o olhar simultâneo da psiquiatria, cinema, literatura, direito penal e investigação criminal, e .... com todas as outras perspectivas que quiserem intervir.

A Direcção da AJP

segunda-feira, 8 de maio de 2006

Mil crimes por dia em Portugal

"Em Portugal foram registados pelas autoridades 1050 crimes por dia, em 2005. A média resulta das 383.253 participações reveladas no Relatório Anual de Segurança Interna. O número é gordo mas representa uma diminuição na criminalidade. Apenas quatro distritos contrariaram esta tendência.

Vila Real, Coimbra, Braga e Viana do Castelo foram os distritos mais mal comportados em termos de segurança interna, no último ano. As quatro regiões apresentaram subidas na criminalidade sendo que o distrito transmontano foi aquele que registou a maior subida (7,1 por cento).

A maior participação de crimes regista-se, no entanto, muito longe de Trás-os-Montes. Lisboa recolhe a maior fatia de denúncias de ilícitos. Apesar de ter descido, o número está quase nos 99 mil crimes participados às autoridades em 2005 na região da Grande Lisboa. Seguem-se o Porto, Setúbal e Braga.

Mas mais preocupante ainda é Faro. O distrito regista a maior média de crimes quando o número é comparado com a densidade populacional. Assim, o distrito forte do turismo regista 66,3 crimes por cada mil habitantes. Seguem-se Lisboa, com 46,3 crimes por mil habitantes. E Setúbal com 43,3 crimes.

É caso para dizer que a Guarda é o distrito mais bem guardado. De acordo com o mesmo relatório, é o distrito com menos crimes em termos relativos. Com 20,5 crimes por cada mil habitantes, o distrito beirão fica ainda no topo da lista quando se fala em criminalidade absoluta. Teve em média 10 delitos por dia, tal como Portalegre.

Beja foi o distrito que verificou a maior descida de crimes no último ano. Ao decréscimo de 14,2 por cento da região alentejana segue-se a quebra de 9,9 nos delitos participados no distrito de Lisboa."

Porto, 163 crimes por dia


É o segundo distrito com mais crimes
Apesar do número total de quase 60 mil crimes, o Porto registou uma diminuição de 6,6 por cento na criminalidade. É o segundo distrito com mais crimes mas, em termos relativos, apresenta uma média de apenas 33,6 crimes por mil habitantes.

Os crimes contra o património são os que mais peso apresentam. Além destes, apenas os crimes contra a sociedade desceram.

Na criminalidade violenta e grave, destacam-se o roubo na via pública com 2337 casos e o furto por esticão com 784 ocorrências.

Fonte: Portugal Diário

sábado, 6 de maio de 2006

Basta de nadas

Posso ver, ler e ouvir, em todos os media da moda e do poder que o Dr. José Miguel Júdice contemplou-nos com um livro que, pelo que querem fazer crer essas "notícias" ( pois há quem lhe chame publicidade encoberta ), pretende ser um balanço da sua carreira enquanto Bastonário da Ordem dos Advogados. E da sua luta.
Chama-se "Bastonadas. Vitórias e derrotas na luta pelo Estado de Direito".
Eu não o vou comprar porque já era Advogado quando o Dr. Júdice exerceu o seu Bastonato. Porque não vi nenhum "ímpeto reformista" que o Colega diz ter imposto à Ordem dos Advogados. Nem reais propostas para pactos de regime. Vi contínuos momentos de instabilidade entre profissões judiciais, com polémicas infrutíferas. Vi arrogância e protagonismo.
Vi o Estado de Direito na mão das fábricas de advogados ( com minúscula pois não se trata de profissionais autónomos e ser advogado também passa por essa qualidade) e o Bastonário a afirmar, tacitamente, que - por ser quem é e por ser dono de uma estrutura que emprega tanta gente e carregada de ex-isto e ex-aquilo - deve ser ouvido pelo Estado sempre que este decidir tomar decisões de pendor judicial.
Como o Estado de Direito mudou. Há quarenta anos atrás o nosso Estado deveria seguir os ensinamentos de Primo de Rivera. Felizmente que com o 25 de Abril os ensinamentos foram outros. 25 anos após esse 25, o Estado de Direito poderia ter sido salvo pelo Dr. José Miguel Júdice. E, aparentemente, não foi porque não o deixaram.
Não vi quaisquer vitórias (também porque essas não se partilham em público, ficam nos gabinetes ) e as alegadas derrotas, tal como os problemas e as "defesas de direitos de todos" só servem para justificar cargos como o de Bastonário e a existência de alguns nichos de poder dentro de algumas instituições.
Mas esse é o Estado de Direito que temos, não o que sonhamos e, num ponto concordo com o Dr. José Miguel Júdice: são precisas mudanças na aplicação da Justiça em Portugal. Porém tenho a certeza que discordamos quanto às mudanças a realizar. Para serem efectivas temos que começar por mudar as pessoas nos cargos de decisão para que os erros não se repitam.
Artigo de opinião. As ideias descritas supras não significam as ideias partilhadas e defendidas pela AJP e pelos seus Associados.

sexta-feira, 5 de maio de 2006

Debate: "Soluções para uma Indústria Musical em Portugal"

Soluções Legislativas e Funcionais para uma Indústria Musical em Portugal» foi o tema do debate realizado, anteontem, no Ateneu Comercial do Porto. No centro da discussão estiveram, entre outros assuntos, os direitos de autor, cobrança e distribuição e a nova lei da rádio.

As direcções do Ateneu Comercial e da Associação Jurídica do Porto promoveram, na noite de quarta-feira, um debate em torno da indústria musical em Portugal. À mesa estiveram Pedro Osório (director da Sociedade Portuguesa de Autores), Eduardo Simões (jurista e director da Associação Fonográfica Portuguesa), Miguel Guedes (Blind Zero), Adolfo Luxúria Canibal (Mão Morta), Isidro Lisboa (radialista) e Artur Ribeiro (director da Associação Portuguesa de Logistas de Audiovisual), numa conversa moderada por Ricardo Salazar.
Direitos de autor, cobrança e distribuição, contrafacção, quebra de vendas, downloads ilegais feitos na Internet, falta de circuitos alternativos às Queimas das Fitas e concertos promovidos pelas autarquias, nova lei da rádio, playlist’s, interesses dos grandes poderes económicos, preço dos instrumentos e dos bilhetes dos espectáculos e falta de interesse do Estado foram as questões afloradas pelos intervenientes do encontro, que não primou pela participação do público. No entanto, quem marcou presença agradeceu a iniciativa e, no final, teve a oportunidade de interpelar os intervenientes, assim como lembrar os anos seguintes ao 25 de Abril que foram férteis em produção nacional. Um aumento de produção que se continua a registar hoje, mas que em termos de “difusão baixou”, frisou Pedro Osório.


Direitos de autor
A primeira questão lançada em debate por Ricardo Salazar recaiu precisamente na questão dos direitos de autor e do melhoramento na cobrança e distribuição. Com as novas tecnologias, em particular a Internet, os direitos estão ameaçados por grandes interesses económicos e, por essa razão, a gestão colectiva de direitos de autor torna-se imprescindível. Um processo de transição, que segundo Adolfo Luxúria Canibal “pode ser perigoso, porque acabando os direitos de autor, amanhã uma música dos Mão Morta pode ser utilizada numa publicidade a um champô”, acrescentando que, nesta matéria, “não se trata apenas de uma remuneração, mas é também o controlo que o próprio autor pode fazer da sua obra, mas sozinho nada consegue”. E já no que concerne à distribuição, Artur Ribeiro salientou que “são as lojas o elo mais fraco”. Reportando-se ao seu caso pessoal, revelou que é preciso um trabalho diário para estar sempre na linha da frente da divulgação e da actualização musical. Para o director da Associação Portuguesa de Logistas de Audiovisual, a quebra das vendas está directamente relacionada com o fraco poder económico do País, mas também “pode ser atribuída aos downloads ilegais e à pirataria vendida nas feiras”, tendo lançado como solução “baixar os preços quanto for possível”. A esta situação, acrescentou ainda Miguel Guedes, “o top ten de pastilha elástica, a televisão que ultrapassa a má ficção nacional, o papel das rádios, a falta de interesse do Estado em investir na exportação e divulgação da música nacional e o circuito de espectáculos, que estão fechados, são rotineiros e pobres”.

Concertos
Em Portugal, os principais circuitos de espectáculos são as Queimas das Fitas e os concertos promovidos pelas autarquias. Com o fecho da torneira financeira imposta por Manuela Ferreira Leite, os músicos tiveram de procurar circuitos alternativos, mas são muitas as dificuldades encontradas para estabelecer esta rede de itinerância que em países da Europa é prática comum. Mas nesta questão entronca a tradição alimentada pelas Câmaras em oferecer os espectáculos ao público, o que de acordo com Miguel Guedes “dá origem a que as pessoas se habituem a ver concertos gratuitos e são poucos aqueles que pagam para assistir a produções próprias”. Para Adolfo Luxúria Canibal, a solução passaria pela “existência de pequenos bares e clubes”, como acontece no estrangeiro, onde “as bandas começam por actuar para pequenas plateias, com bilhetes pagos e quando esse circuito de público se esgota, ai sim tocam em grandes eventos”. Contudo, e apesar de existir no País um bom número de auditórios, com grandes valências, “não se criaram pessoas que façam tournées e, neste momento, temos de pensar em espectáculos cujos custos sejam repartidos por vários locais, os mesmos pelos quais serão repartidos os retornos financeiros. Há um desfasamento mental sobre o que é a cultura”, sublinhou Adolfo Luxúria Canibal, reiterando Pedro Osório que “os espectáculos têm de ser pagos até por uma questão de pedagogia”.
“Mas se os músicos criticam a atitude das autarquias, por que razões não se recusam a tocar?”, indagou alguém da plateia. Para o vocalista dos Blind Zero, isso “seria a morte do artista, porque, se são estes os dois principais circuitos de espectáculos, recusar um deles seria fatal para os músicos”, ao que acrescentou o líder dos Mão Morta que “não se devem queimar os circuitos, mas sim escaloná-los”.

Lei da Rádio
No que diz respeito à nova Lei da Rádio duas palavras sobressaíram: abstracto e concreto. Em abstracto, nenhum dos presentes é a favor das quotas impostas às rádios quanto à difusão da música portuguesa, talvez porque seria uma questão de bom senso. Mas em concreto, acabam por ser um mal necessário, porque foi a forma encontrada para “defender a música portuguesa cuja maioria tinha sido chutada das rádios nas últimas duas décadas”, lembrou Pedro Osório. Uma imposição que certamente não incluirá o diversificado leque da produção nacional, mas que Isidro Lisboa gostaria que “viesse mostrar muitos e bons discos de bandas que ainda não tiveram a oportunidade de tocar por três minutos nas rádios”.

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Frases soltas
Pedro Osório: “A Internet está a introduzir grandes mudanças e estão cães fortes a tentar apanhar o osso”

Adolfo Luxúria Canibal: “As rádios que existem têm targets de público e acabam por ser concorrentes umas das outras e não será pelas quotas impostas que os Mão Morta vão passar a tocar nas rádios”

Miguel Guedes: “A gestão colectiva de direitos de autor é essencial e necessária, sobretudo quando não há uma realidade sindical forte no meio musical”

Isidro Lisboa: “Há pouco dinheiro e os bilhetes são caros. A solução passaria por criar um circuito alternativo em pequenas salas”

Eduardo Simões: ”A música está a chegar por diferentes caminhos. Temos a obrigação moral de usar todos os recursos para proteger o que gostamos

Fonte: O PRIMEIRO DE JANEIRO

Hoje - 1º filme e debate do festival "A JUSTIÇA NO CINEMA"

King Vidor é uma referência na história do cinema. Poucos terão exprimido como ele os princípios básicos da América, desde a conquista pelas armas à edificação de uma sociedade moral, em que a integridade de cada um define as bases do direito comum. O homem, segundo Vidor, traz em si todo um mundo de possíveis. Todo um poder de criação que só tem igual na sua força destruidora. Ele é um daqueles que acreditam que todo o documento de cultura é um documento de barbárie. Vontade Indómita, no original "The Fountainhead", é um filme que ganhou o estatuto de clássico. Trata-se duma obra que se aproxima, em dimensão e grandeza, de "Citizen Kane". Afirmando o direito à criatividade individual dum arquitecto, a película de Vidor está para o mundo da arquitectura como a obra de Welles está para o da imprensa. Trata-se de uma adaptação ao cinema de uma novela de Ayn Rand, galardoada com o Prémio Pullitzer, cuja personagem central lembra o arquitecto Frank Lloyd Wright, embora a escritora sempre o negasse.
Gary Cooper não foi a escolha inicial para o papel do arquitecto Howard Roark. O realizador queria Bogart, mas acabou por se render ao "Gentle Giant", símbolo dos valores positivos da América, os da conquista e os do New Deal. Em "The Fountainhead", Cooper é o herói recrucificado de um mundo que não sabe que fazer com a sua pureza. O seu ar é pesado e triste, mas nenhuma humilhação pode diminuir a determinação de quem prefere ser um simples canteiro a ser um mau arquitecto.
A representação do corpo de Cooper, a intensidade colocada na troca de olhares com Patricia Neal, são bem mais importantes do que qualquer manifesto modernista no domínio da arquitectura, transmitido pelo livro de Ayn Rand.
Howard Roark é um arquitecto idealista e muito pouco ortodoxo. Dificuldades económicas levam-no a aceitar um trabalho de operário numa pedreira, onde vem a conhecer uma bela herdeira, Dominique, protagonizada por Patricia Neal.
A mútua atracção rapidamente se converte em amor. Mas, inesperadamente, Roark rompe a relação e regressa a Nova Iorque, onde lhe oferecem um trabalho arquitectónico. Dominique casa com um magnata da imprensa, Gail Wynand, cujo perió-dico desencadeia uma campanha violenta contra Roark. Este tinha aceite um projecto de habitação social, com a condição de não serem feitas quaisquer alterações. Porém, a concepção original foi modificada.
Enfurecido e desesperado, Roark dinamita as estruturas da obra. É julgado em tribunal, mas graças à sua própria e brilhante defesa, é absolvido. Wynand, que entretanto se tornara seu amigo, acaba por se suicidar, mas ainda a tempo de o encarregar duma tarefa gigantesca: a construção do edifício mais alto do mundo, em sua memória. O arquitecto aceita, e, para que tudo acabe bem, tem de novo Dominique a seu lado. No final, esta sobe ao arranha--céus em construção, até chegar ao pé de Roark. A conclusão é uma autêntica profissão de fé no individualismo, contra as utopias colectivistas. Uma ascensão divina. O cinema tem esta magia e sedução!
Quando estreou, o filme foi considerado reaccionário. Os tempos mudaram, e, hoje, sente-se que transmite uma mensagem de liberdade, através da organização do espaço, imagem e texto. "The Fountainhead" é mais um bom exemplo da complementaridade do cinema e da arquitectura. Ambos se inserem no território complexo da criação artística, não raras vezes condicionada por factores externos.
Sendo um cineasta conhecido, os cinéfilos respeitam a sua obra, que inclui filmes como "Duelo ao Sol" e "Guerra e Paz". A sua vida foi longa. Em 1979, recebeu um Óscar pelo conjunto da sua obra, vindo a falecer três anos depois. Pelo contributo dado à história da 7ª arte, merece o nosso reconhecimento e admiração. Bem haja o realizador deste "The Fountainhead", que recomendamos a todos os que gostam do bom cinema.

Carlos Mendes, in Revista Cine-Consumo, n.º 104, 2001.

A exibição do filme terá lugar, na Sala Bebé do Cinema Batalha, às 19h30, com intervalo p/ jantar no local e será seguida de um debate pelas 22h00, com os convidados e aberto à intervenção do público.

Debate: Guilherme Figueiredo (cinéfilo); Vasco Morais Soares (arquitecto); Ricardo Pimenta (arquitecto); Manuel António Pina (Jornalista).

quinta-feira, 4 de maio de 2006

II Encontro Luso-Brasileiro de Juristas do Trabalho


O II Encontro Luso-Brasileiro de Juristas do Trabalho terá lugar nos dias 2 e 3 de Junho, em Coimbra.

Os temas sugeridos à discussão, em princípio, são os seguintes:

1) A CONTRATAÇÃO COLECTIVA EM PORTUGAL E NO BRASIL;

2) REGULAMENTAÇÃO/DESREGULAMENTAÇÃO DO DIREITO DO TRABALHO;

3) O PROCESSO DO TRABALHO EM PORTUGAL E NO BRASIL;

4) TRABALHO E DIREITOS FUNDAMENTAIS.

Em breve será divulgado o programa definitivo.

Leia mais no site da JUTRA